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Não teria sido eleito se o cadastro estivesse em vigor”, diz senadora após prisão de vereador

A senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) cobrou, nesta segunda-feira (2), a regulamentação da lei que cria o Cadastro Nacional de Predadores Sexuais e Pedófilos, de sua autoria, e que foi sancionada há mais de seis meses, mas ainda sem aplicação prática.

O apelo foi feito após a prisão do médico e vereador Thiago Bitencourt Ianhes Barbosa (PL), de 40 anos, no município de Canarana (a 823 km de Cuiabá), acusado de cometer crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

Segundo a Polícia Civil, Thiago foi preso em flagrante no sábado (31), e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia no domingo (1). A investigação aponta que ele mantinha uma adolescente em situação de “escravidão sexual” e a utilizava para abusar de uma criança de apenas dois anos. Materiais de pornografia infantil teriam sido encontrados na casa e no consultório médico do parlamentar.

A senadora manifestou indignação diante do caso e afirmou que, se a lei já estivesse em vigor, Thiago não teria sido eleito. “Se o cadastro estivesse funcionando, esse canalha não teria virado vereador. Mas a justiça é lenta. Já são seis meses da sanção da lei e nada foi feito”, declarou.

Buzetti ainda defendeu que o nome dos condenados por crimes sexuais contra crianças conste no sistema já a partir da primeira instância, como forma de proteger mulheres e famílias. “A gente precisa garantir que esses criminosos sejam identificados o mais cedo possível. É inadmissível que continuem escondidos atrás de títulos como ‘doutor’ ou ‘vereador’, enquanto destroem a vida de crianças inocentes”, disse.

No vídeo divulgado em suas redes sociais, a senadora classificou o vereador como “canalha” e defendeu que ele permaneça preso, sem direito a fiança ou qualquer benefício judicial. “É lamentável que a gente leia notícias como essa todos os dias. O que será dessas crianças que foram estupradas por esse sujeito? Ele tem que ficar com o nome sujo para o resto da vida.”

Além da acusação criminal, Thiago Bitencourt também responde a uma ação de improbidade administrativa, movida pelo Ministério Público, por enriquecimento ilícito enquanto atuava como médico na rede pública. Ele teria recebido integralmente salários mesmo sem cumprir a carga horária exigida, causando prejuízo estimado em R$ 36 mil aos cofres públicos.

O Partido Liberal suspendeu preventivamente a filiação de Thiago e anunciou que irá iniciar o processo de sua exclusão dos quadros partidários. A presidente do PL Mulher em Mato Grosso, Gislaine Yamashita, afirmou que ele “não representa a direita” e defendeu sua expulsão imediata.

A Câmara Municipal de Canarana e o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) ainda não se manifestaram sobre o caso. A investigação segue sob sigilo judicial.

O Noroeste

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