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Unimed alerta sobre risco da ‘Geração Z’ desenvolver cegueira por excesso de telas

O uso excessivo de dispositivos eletrônicos e a falta de exposição à luz solar podem levar jovens da Geração Z — nascidos entre 1995 e 2009 — a quadros graves de miopia e, em casos mais avançados, até à cegueira. O alerta é do médico oftalmologista da Unimed Cuiabá, Dr. Adriano Rodovalho.

Segundo o especialista, segurar dispositivos como celulares e tablets muito próximos ao rosto reduz a frequência de piscadas e sobrecarrega o sistema de foco visual. Com isso, ocorre o alongamento progressivo do globo ocular e alterações nas lentes dos olhos, o que favorece o desenvolvimento da miopia.

“Durante a pandemia, com as aulas sendo ministradas por videoaulas e o uso intenso de celulares e tablets, observamos um aumento significativo nos casos de miopia entre crianças e adolescentes. Hoje, eles usam o celular para tudo: assistir aulas, séries, vídeos, filmes. Essa proximidade constante das telas tem impactado diretamente na saúde ocular dessa geração”, explica o oftalmologista.

A Unimed Cuiabá acompanha com atenção esse cenário e reforça a importância da informação como forma de prevenção. A cooperativa médica tem se empenhado em orientar seus beneficiários sobre os riscos relacionados ao uso excessivo de telas e à falta de exposição à luz natural, especialmente entre crianças e adolescentes.

Fatores ambientais e comportamentais

Embora a miopia já tenha sido considerada, por muito tempo, uma condição hereditária, o cenário atual mostra que o estilo de vida tem tido grande influência no aumento de casos, especialmente entre os mais jovens.

“O uso excessivo de telas e o tempo reduzido ao ar livre têm impactado diretamente a saúde ocular. A retina precisa de luz natural para se desenvolver bem, e a exposição à luz solar ajuda a liberar dopamina — um neurotransmissor que regula a adaptação dos olhos ao ambiente. Quando as crianças passam tempo demais em ambientes fechados, essa produção cai, o que pode contribuir para o avanço da miopia”, explica o especialista.

Cuidados recomendados

O médico destaca a importância de os pais estabelecerem limites no uso de telas. “A recomendação é que crianças a partir da idade escolar — entre 7 e 10 anos — tenham horários definidos para utilizar eletrônicos, com no máximo 30 minutos contínuos por sessão. Se for necessário usar por mais tempo, como no caso de aulas, é fundamental realizar pausas a cada 40 minutos para descanso visual. Também é essencial incentivar atividades ao ar livre.”

A falta de atividades externas, como andar de bicicleta, correr ou jogar bola, também contribui para o aumento no grau da miopia e o surgimento de outras patologias. “A exposição solar é importante não apenas para a saúde geral, mas também para o desenvolvimento ocular saudável. Claro que, ao se expor ao sol, é preciso usar óculos com proteção contra os raios UV-A e UV-B”, orienta.

Riscos associados à miopia alta

Além da dificuldade de enxergar de longe, a miopia elevada está associada ao risco aumentado de diversas doenças oculares graves, como:

• Degeneração macular

• Descolamento de retina

• Glaucoma

• Catarata

“Não se trata apenas de um grau alto. Quanto maior o grau, maior o risco de complicações sérias. E se o paciente tem histórico familiar de miopia, os cuidados devem ser redobrados”, reforça Rodovalho.

Casos graves de miopia entre jovens aumentam em até 41% as chances de desenvolver degeneração macular, uma das principais causas de cegueira, segundo estudos citados pelo jornal Daily Mail. No Reino Unido, os casos de miopia aumentaram 46% nas últimas três décadas. Nos Estados Unidos, um estudo da Califórnia mostrou crescimento de 59% entre adolescentes.

No Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 2020 e 2040 o número de pessoas com miopia alta passará de 6,6 milhões para 12,2 milhões — um aumento de 84,8%.

Sinais de alerta

É possível identificar sinais precoces de miopia ainda na infância. Fique atento se a criança:

• Aproxima demais os objetos dos olhos;

• Reclama de dores de cabeça com frequência;

• Apresenta dificuldade de aprendizado na escola.

Entenda as doenças associadas

Degeneração Macular (DMRI):

Atinge a mácula, área responsável pela visão central nítida. A DMRI pode ser:

• Seca (atrófica): Mais comum, com perda gradual de células da mácula.

• Úmida (neovascular): Caracterizada pelo crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina, com perda de visão mais rápida.

Tratamento:

• DMRI seca: Suplementação com vitaminas e antioxidantes pode retardar a progressão.

• DMRI úmida: Medicamentos antiangiogênicos injetáveis ajudam a conter o avanço da doença.

Descolamento de Retina:

Mais comum em míopes, ocorre pelo afinamento da retina, podendo levar à cegueira se não tratado com urgência. Exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar danos irreversíveis.

Glaucoma:

Doença crônica e silenciosa, geralmente associada à pressão intraocular elevada. Causa perda de visão periférica e pode levar à cegueira. O tratamento inclui colírios, procedimentos a laser ou cirurgia.

Catarata:

Opacificação do cristalino, comum em idosos, mas também presente em jovens com fatores de risco. O tratamento é cirúrgico, com substituição por uma lente intraocular.

O Noroeste

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