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Como MT participou da criação da 1ª vacina contra dengue do Brasil

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) participou diretamente nos ensaios clínicos que testaram a eficácia primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo. Por meio do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) e da Faculdade de Medicina, a Universidade integra um grupo de outros 15 centros a colaborarem com a pesquisa.

A vacina, nomeada Butantan-DV, é 100% nacional. Ela será destinada a pessoas na faixa etária de 12 a 59 anos e a expectativa é que comece a ser distribuída para o Sistema Único de Saúde (SUS) já em dezembro, com a aplicação em massa prevista para 2026.

O estudo, desenvolvido entre 2016 e 2025, acompanhou cerca de 1,3 mil voluntários em Cuiabá e Várzea Grande durante cinco anos. O Coordenador da pesquisa e professor da UFMT, Luciano Gomes, 43 anos, contou que uma das principais dificuldades foi conseguir voluntários para a pesquisa.

“Nosso país possui baixa cultura de participação em pesquisa clínica então o mais difícil é a gente selecionar o voluntário. Graças ao esforço da equipe a gente conseguiu incluir 1.300 pessoas que era a meta que a gente tinha estipulada pelo Instituto Butantan” , comentou sobre o feito.

O Hospital Júlio Müller ofereceu apoio logístico, infraestrutura adequada, retaguarda assistencial e participação de docentes pesquisadores na gestão do projeto, que foi financiado pelo Instituto Butantan.

Segundo o coordenador, os primeiros 21 dias são o marco inicial da avaliação, mas o monitoramento continua por cinco anos. Nesse período, uma equipe de até 30 pesquisadores acompanhou tanto o grupo que recebeu a vacina quanto o grupo placebo, conseguindo manter mais de 90% dos voluntários participando ativamente até o final do estudo.

Sobre as expectativas com a pesquisa, ele afirma que o fato da vacina ser aplicada em dose única aumenta muito a chance de adesão da população à imunização, algo que tem sido um desafio no país.

“Espero que a gente consiga quebrar também um pouco essa resistência que as pessoas têm tido ultimamente à imunização. Vacinas são e continuam sendo um dos marcos decisivos na evolução da nossa expectativa de vida.” relatou.

 

Casos no estado

Mato Grosso enfrenta, há duas décadas, uma alta circulação do vírus da dengue, o que gera prejuízos à rotina dos pacientes e aumenta a letalidade entre grupos vulneráveis. O imunizante apresentou eficácia global de 74,4% na população de 12 a 59 anos. Segundo o Ministério da Saúde, isso significa que cerca de 74% dos casos da doença foram evitados entre pessoas vacinadas.

Mato Grosso é o quinto estado com mais casos suspeitos de dengue no país, segundo o Ministério da Saúde. O estado registrou 34.962 possíveis infecções neste ano, além de 21 mortes confirmadas e outras 14 que ainda estão em investigação.

A faixa etária mais atingida é a de 20 a 39 anos. A maioria dos registros envolve pessoas autodeclaradas pardas, que correspondem a 63,5% das notificações. As mulheres representam 55% dos casos suspeitos de dengue em Mato Grosso.

O Noroeste

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