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Corregedoria envia equipe para investigar conduta de policiais após prints de mensagens que sugerem tortura e estupro em MT

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil enviou uma equipe nessa sexta-feira (6) até a delegacia de Sorriso (MT) para investigar a conduta de policiais após o vazamento de mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp que sugerem abusos sexuais a outras detentas e possíveis torturas a investigados.

A medida busca reforçar e dar mais agilidade às apurações que já são realizadas pela delegacia, segundo a Polícia Civil. O Ministério Público do estado (MP-MT) também abriu procedimento após a repercussão do caso.

As mensagens vieram de um celular funcional da delegacia, que foi furtado em outubro do ano passado, de acordo com a polícia. A imprensa teve acesso ao material. Os regis mostram a existência de um grupo intitulado “DHPP/Assuntos Oficiais”, uma referência à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, o nome da unidade.

Um print datado de 6 de novembro mostra uma conversa sobre uma detenta. Um dos participantes escreve: “uma escaldada nessa piranha, rapaz, pode comer”, seguido de risada. No mesmo grupo, uma mulher reage com surpresa à mensagem dizendo “Que isso”(confira abaixo).

Print mostra conversa entre policiais em grupo de mensagens em MT — Foto: Reprodução

À época do vazamento das conversas, com prints compartilhados pelo WhatsApp, o delegado titular Bruno França afirmou à imprensa que trechos das conversas foram apagados e editados para prejudicar o trabalho da Polícia Civil e sugerir condutas ilegais da equipe.

O submeteu os prints à verificação do Foto Forensics, ferramenta que indica possíveis alterações em imagens, e o resultado apontou que não houve adulteração no conteúdo das mensagens.

Delegacia em Sorriso (MT) é alvo de denúncias de abuso envolvendo policiais — Foto: Arte/g1

No mesmo mês em que as conversas vazaram, uma mulher que estava presa na delegacia relatou ao advogado dela ter sido estuprada por um investigador da unidade, que foi indiciado por estupro e abuso de autoridade nesta sexta-feira (6). Na época, um grupo de advogados criminalistas se reuniu para discutir o caso e os prints vazados.

Em nota, a Polícia Civil informou que irá apurar a autenticidade dos prints e o contexto em que foram postados, assim como possível desvio de conduta de policiais.

“As mensagens de conversa que constam no aparelho celular, se verdadeiras, não têm nenhuma relação com o caso de estupro de uma mulher que aconteceu no mês de dezembro de 2025”, disse.

O grupo de advogados formalizou, ainda em dezembro, uma denúncia contra a delegacia com base nas conversas vazadas.

A Corregedoria Geral da Polícia Civil informou que recebeu a denúncia nessa quinta-feira (5). Já a OAB-MT e o Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) afirmaram que encaminharam um ofício solicitando providências ao corregedor-geral da Polícia Civil e aguardam mais informações para investigação.

Suspeitas de outros crimes

Outras mensagens também citam práticas que podem indicar irregularidades, segundo uma fonte que não quis ter a identidade divulgada, e explicou o significado de expressões usadas nas conversas:

  • “Meter flagrantão no pelo” é forjar prisão em flagrante.
  • Um delegado orienta que os presos sejam “lesionados” (torturados) somente a partir da segunda quinzena de março, quando o médico legista — que supostamente deixaria de registrar as lesões — retornaria das férias.
  • “O celular dele tá com o B* instalado” significa que os policiais tiveram acesso e manusearam o celular de um investigado e instalaram um aplicativo espião, para monitorar de forma ilegal as mensagens do investigado.
  • “A gente tá pegando uma arma e rodando ela pelos confrontos” indica que a mesma arma está sendo ‘plantada’ em ‘confrontos’ entre a polícia e suspeitos. Nestes ‘confrontos’, o resultado é sempre a morte do suspeito (veja na imagem abaixo).

 

Print mostra conversa para plantar suposta arma em confronto em MT — Foto: Reprodução

Denúncias anteriores na mesma delegacia

Outros casos formalizados em denúncias no MP, em 2024, sobre a mesma equipe da delegacia apontam para possíveis abusos de autoridade.

No dia 13 de janeiro de 2024, uma jovem denunciou que foi agredida na porta de casa pelos policiais e levada dentro da viatura até um matagal. No trajeto, quatro deles teriam dito, em tom de ameaça, que usariam o cano da arma para abusá-la.

Ao chegarem no local, segundo a denúncia, um deles pegou um pedaço de madeira, enquanto outro a segurava no mato e bateu no braço dela, falando que “ninguém iria socorrê-la”. No relato, a jovem disse ainda que a todo momento era questionada sobre quem seria o autor de um homicídio na cidade.

Ela negou qualquer envolvimento com facção criminosa, mas, conforme relatou ao MP, o irmão dela e o amigo dele poderiam estar envolvidos no crime. Assim que entregou esses nomes aos policiais, eles saíram do matagal com ela e foram até a delegacia, onde familiares da jovem a esperavam na frente da unidade.

Este caso, contudo, permanece parado e a investigação não teve andamento.

O Noroeste

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