Foram registrados 12 boletins de ocorrência por violência doméstica contra mulheres entre sábado (14) e domingo (15) em todo o estado, segundo informações da Polícia Militar. Ao todo, 15 vítimas, com idades entre 16 e 64 anos, foram atendidas nesse período.
Os casos não incluem a morte da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, baleada dentro de casa na segunda-feira (16). O principal suspeito do crime é o marido da vítima, Paulo Neves Bispo, de 61 anos, contra quem ela tinha uma medida protetiva.
Os casos envolvem crimes como lesão corporal, ameaça, dano, agressão e até sequestro e cárcere privado. Em boa parte das situações, as agressões ocorreram após discussões motivadas por ciúmes, consumo excessivo de bebida alcoólica, desentendimentos em confraternizações, tentativas de separação ou conflitos relacionados a relacionamentos anteriores.
Os boletins foram registrados em em 11 municípios, sendo eles Pontes e Lacerda, Rondonópolis , Barra do Garças, Várzea Grande, Guarantã do Norte, Cuiabá, Sorriso, Mirassol D’Oeste, Nova Olímpia e Poconé.
Os suspeitos têm idades entre 24 e 50 anos. A maioria foi detida em flagrante e encaminhada às delegacias da Polícia Civil para as providências cabíveis.
Em todos os casos, os investigados tinham vínculo afetivo ou familiar com as vítimas, como marido, união estável ou ex-companheiro. Veja a distribuição abaixo:
Uma mulher de 38 anos e a filha dela, de 16, foram agredidas e mantidas em cárcere privado pelo namorado da mãe, de 31 anos, na madrugada deste domingo (15), em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Segundo a Polícia Militar, o suspeito havia ingerido bebida alcoólica, saiu de casa e, ao retornar, iniciou uma discussão e passou a agredir a companheira com socos, puxões de cabelo e batidas da cabeça dela contra a parede.
De acordo com as equipes, o homem ainda pegou uma faca e ameaçou a adolescente, que é enteada dele, e o namorado da jovem, que também estava na residência.
A vítima relatou aos policiais que não é a primeira vez que sofre agressões e informou que pretende solicitar medida protetiva, pois teme por sua integridade física. Ela apresentava ferimento na cabeça e queixava-se de dores pelo corpo.
Uma mulher, de 38 anos, relatou à Polícia Militar que foi agredida pelo ex-marido, de 28 anos, no sábado (14) poucas semanas após a separação em Poconé, a 104 km de Cuiabá. O crime ocorreu quando a mulher foi até uma distribuidora comprar refrigerante e encontrou o suspeito no local.
Segundo o relato, o homem a atacou com um capacete, derrubou-a sobre a motocicleta em que estava e a puxou pelos cabelos, arrastando-a pelo chão. Ela sofreu escoriações nas pernas e no pé esquerdo. Antes de ir embora, o suspeito ainda teria danificado a moto, que havia sido emprestada por um amigo.
Uma mulher de 27 anos foi agredida pelo marido, de 33, na madrugada deste domingo (15), em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. Segundo a Polícia Militar, a vítima participava de uma confraternização com familiares quando o suspeito, ao ser acordado para ir embora, passou a agir de forma agressiva.
De acordo com o relato, já na casa do casal, o homem iniciou as agressões, atingindo o rosto da mulher com socos ou tapas. Ela ficou com hematomas no lado esquerdo da face, olho roxo e inchado, além de lesão no nariz com sangramento. As agressões ocorreram na presença das filhas do casal. O suspeito também danificou a porta do banheiro e um ventilador.
A vítima conseguiu ligar para a mãe, que foi até o local, mas também foi agredida pelo genro.
Foram registrados 52 casos de feminicídio entre janeiro e dezembro de 2025 no estado, segundo dados do Observatório Caliandra, divulgados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O número é o maior desde 2020, quando foram contabilizados 62 casos.
Feminicídio é o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica ou por discriminação de gênero. De acordo com o levantamento, os principais motivos dos crimes em 2025 foram o fim de relacionamentos, ciúmes ligados ao sentimento de posse e menosprezo à condição feminina.
Entre as vítimas, sete tinham medidas protetivas de urgência. Outras 45 não possuíam proteção judicial no momento do crime. Ainda segundo levantamento, 18 homens são considerados foragidos da Justiça por feminicídio em Mato Grosso. A maioria dos mandados é de prisão preventiva.
O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.
O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.
Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Segundo a Lei Maria da Penha, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher.
Segundo o Instituto Maria da Penha, essa violência pode ser dos seguintes tipos:
As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. A Lei Maria da Penha prevê a solicitação de medidas protetivas para impedir a prática da violência doméstica.
São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família.
Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão.
A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.
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