A redução da idade de abate do gado emerge como uma estratégia dual, produtiva e ambiental, para a pecuária brasileira. Levantamentos do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e análises da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacam que encurtar o ciclo de vida do animal é uma das abordagens mais eficazes para diminuir a intensidade de emissões de carbono por quilo de carne produzida no País.
Impacto Direto na Redução de Emissões
Ao antecipar o abate e otimizar a eficiência produtiva, a pecuária pode alcançar uma redução de 30% a 40% nas emissões por unidade de produto em cenários de adoção tecnológica. Esse ganho é atribuído ao menor tempo de permanência do animal no sistema, o que diminui a fermentação entérica, principal fonte de metano, e o volume total de pasto e suplementação consumidos ao longo de sua vida. Uma redução de apenas um ano no ciclo de produção já promove um corte significativo nas emissões acumuladas por animal, além de acelerar o giro da fazenda e a produção por hectare.
Maximizando a Sustentabilidade com Tecnologias Integradas
Quando a antecipação do abate é combinada com genética aprimorada, suplementação nutricional, recuperação de pastagens e manejo intensivo, o impacto ambiental se amplia. Em cenários de maior adoção tecnológica, a pecuária brasileira pode reduzir suas emissões totais em até 80% até 2050. Modelos teóricos que incorporam captura de carbono no solo e sistemas integrados de produção projetam uma queda líquida que pode se aproximar de 90%.
O Papel da Pastagem e da Inovação Alimentar
Uma parcela substancial desse resultado reside no solo: pastagens recuperadas atuam como importantes reservatórios de carbono, acumulando matéria orgânica. Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) contribuem para o aumento da biomassa vegetal e a consequente remoção de CO₂ da atmosfera. Adicionalmente, aditivos alimentares e dietas balanceadas melhoram a conversão alimentar e minimizam a produção de metano por animal.
Competitividade Global e Exigências de Mercado
A Abiec enfatiza que a modernização da cadeia produtiva, que abrange rastreabilidade, padronização sanitária e terminação mais eficiente, possibilita a expansão dessas práticas sem comprometer a competitividade internacional. Pelo contrário, mercados compradores cruciais, como Europa e Ásia, estão cada vez mais incorporando critérios ambientais nas negociações de carne bovina, tornando a sustentabilidade um diferencial estratégico.
Produtividade como Pilar da Agenda Ambiental
Para a pecuária brasileira, a agenda ambiental se fundamenta na produtividade, e não na redução da produção. Abater o gado mais cedo, produzir mais arrobas por hectare e gerenciar de forma otimizada as pastagens tornou-se uma estratégia duplamente vantajosa: econômica, com maior giro de capital e menor custo por arroba, e ambiental, oferecendo um argumento robusto em um mercado global que valoriza a origem sustentável da proteína.