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Filha relata que mãe assassinada pelo ex acionou botão do pânico 2 vezes antes do crime em MT

As filhas da professora Luciene Naves de 51 anos, que foi assassinada pelo ex-marido Paulo Bispo de 63 anos, relataram à imprensa nesta quarta-feira (18) que o botão do pânico foi acionado pelo menos duas vezes antes do crime e, segundo elas, nada de efetivo foi feito.

Segundo a Polícia Militar, Paulo pulou o muro da casa de Luciene depois de desligar a energia da casa e a esperou no portão. Ela morreu com dois tiros no tórax, na segunda-feira (16).

A reportagem procurou a Corregedoria da Justiça, a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) e a Polícia Civil, responsáveis pelo botão do pânico, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

Pouco depois, ele ainda tentou ir atrás das duas filhas para tentar matá-las, sendo que uma delas está grávida e conseguiu se trancar no quarto. Ao sair da casa, ele foi atrás da segunda filha, quando foi perseguido pelos moradores e por um policial a paisana, que atirou contra ele.

Emilly Naves Correia Gonçalves relatou que esteve junto com a mãe quando acionaram o botão do pânico contra o suspeito, que é pai dela.

“A Justiça falhou. Eu confiei, nós confiamos no botão do pânico, que foi acionado duas vezes. O policial veio e não fez nada. Ele apenas conversou com minha mãe na calçada de casa. As mensagens, as ameaças que ele vinha fazendo, todas foram passadas impune, tanto pela Justiça quanto pela família dele”, disse.

Já a outra filha Etieny Naves Correia de Almeida alega que houve falha da Justiça em garantir a segurança da mãe após ter solicitado medida protetiva.

“Ela pediu socorro para mim, para os vizinhos e pediu ajuda para todo mundo, mas a primeira pessoa que matou ela foi a Justiça, porque não deixou ele preso. Ele mentia que estava doente. Então, a morte da minha mãe não começou no tiro que ela tomou. Começou quando ela pediu para que ele não chegasse mais perto dela, e ninguém fez nada porque achavam que ele não tinha coragem”, disse.

Ela ainda acrescentou que ouviu do próprio pai que ele queria matar a mãe delas.

“Por diversas vezes ele foi na minha casa e disse que mataria ela. Minha mãe sempre foi trabalhadora, não vestia bem, não comia bem, não passeava e a vida era só trabalhar para sustentar um alcoólatra, um viciado, um assassino, a vida inteira”.

A professora havia agendado para esta quarta-feira (18) um entrevista na Defensoria Pública, e no dia 23 estava prevista uma audiência de conciliação.

No ano passado, o estado teve 21.346 mil medidas protetivas concedidas, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sejus). Já neste ano são mais de 2 mil medidas.

Segundo a investigação da Polícia Civil, o suspeito já teria feito diversas ameaças contra a ex desde a separação. Por isso, ela havia solicitado medidas protetivas.

A prefeitura de Cuiabá lamentou, em nota, a morte da professora que lecionava na Escola Municipal Constança Palma Bem Bem, no bairro Jardim Fortaleza.

“Esse ciclo de violência contra as mulheres precisa ser repudiado e combatido diariamente”, diz trecho da nota.

🚨Como pedir ajuda?

 

Interface do aplicativo ‘SOS Mulher MT’ — Foto: Reprodução

O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.

O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.

Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.

O Noroeste

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