Força-tarefa combate garimpeiros ilegais em Sararé, terra indígena de MT mais devastada do país — Foto: Reprodução JN
Uma indígena, que não quis se identificar, da etnia Nambikwara Katitaurlu relatou à imprensa que a presença do garimpo ilegal e chegada da facção criminosa Comando Vermelho nos últimos três anos trouxeram bebedeira e matança no território em Sararé, localizada em Pontes e Lacerda (MT), mas também alcança os municípios de Conquista D’Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade.
No local vivem cerca de 200 indígenas que convivem com ameaças e a proximidade cada vez mais frequente dos garimpeiros.
“Eu quero ficar em paz na aldeia. Tem um rapaz que vende drogas, bebidas. Ele trouxe para aldeia e vai matando o próprio indígena. Eu estou sempre lutando, quando eu ando sozinha eu falo que não pode ficar vendendo. Quando ele fica bêbado pode matar a própria esposa. Eu sempre falo que estou de olho, na saída da aldeia. Eu quero que acabe com tudo [com garimpo]”, contou.
Em outubro do ano passado, a filha do cacique Tainá Katitaurlu, de 37 anos, explicou que o garimpo destrói a medicação natural ao desmatar a região, além de afastar e matar os animais nas florestas, que costumam ser caçados pelos indígenas para alimentarem a comunidade. Desde a chegada dos garimpeiros, o consumo de proteína animal caiu significativamente na aldeia.
Por ser próxima da fronteira com a Bolívia, a região se tornou uma das rotas mais usadas para o tráfico de drogas, segundo a Polícia CiviI. A partir de 2022, grupos criminosos se infiltraram na região e, em 2024, entraram no garimpo, sendo que parte deles são investigados pela destruição provocada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Além disso, o governo tem até março deste ano para apresentar um plano de ação para expulsar completamente os invasores do território.
Paralelo a isso, uma operação integrada entre as forças de segurança foi deflagrada em 1º de agosto do ano passado e já destruiu 150 escavadeiras hidráulicas e causou prejuízo de mais de R$ 226 milhões ao garimpo ilegal na região, segundo o Ministério dos Povos Indígenas.
No total, foram localizados 14 bunkers, com estoques de alimento e grande quantidade de equipamentos e insumos diversos para as atividades ilegais. Em um dos abrigos identificados, foram encontradas 6 armas de fogo, incluindo um fuzil 5.56 mm e duas espingardas calibre 12.
A operação é coordenada pelo Ibama em parceria com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional, Gefron, Polícia Civil e Polícia Militar de Mato Grosso e Goiás cumpre uma determinação da Justiça Federal para expulsar os garimpeiros ilegais numa ação chamada de desintrusão, que não tem prazo para encerrar.
Dos 67 mil hectares, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro.
Os agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas que atuam dentro do território indígena, o que gera conflitos armados.
Em quase dois meses de operação já foram destruídas na área mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e estruturas diversas para suporte logístico das atividades ilegais.
Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé.
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