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Homem é preso por agredir e manter a ex-companheira em cárcere privado, mesmo com medida protetiva em MT

Um homem de 23 anos foi preso na tarde desta quinta-feira (27), em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, suspeito de agredir, ameaçar e manter a companheira, também de 23 anos, em cárcere privado.

Segundo a Polícia Militar, a equipe foi acionada após denúncia de que a vítima estaria sendo mantida presa dentro de casa e sofrendo violência doméstica. No local, os policiais conversaram com a mulher, que relatou que vinha sendo agredida com socos e chutes e impedida de sair da residência há vários dias.

Ela contou ainda que o suspeito quebrou o celular dela para evitar que mantivesse contato com outras pessoas e restringiu totalmente a saída do imóvel.

Histórico de violência

Segundo a Polícia Militar, durante o depoimento a vítima relatou que, no dia 29 de janeiro deste ano, ela já havia registrado um boletim de ocorrência pelo mesmo motivo e solicitado medida protetiva. Na ocasião, passou a morar temporariamente com parentes em Poconé.

Conforme relato, o suspeito foi até a casa dos familiares e a convenceu a voltar para buscar pertences pessoais. Desde então, segundo a jovem, passou a ser impedida de deixar o local e ameaçada de morte. Ela afirmou que o homem dizia que mataria seus familiares e a própria vítima caso ela tentasse terminar o relacionamento. A mulher relatou também que era forçada a manter relações sexuais contra a vontade.

Aos policiais a vítima relatou que conseguiu sair da casa e pedir ajuda a uma vizinha. O suspeito foi localizado, algemado devido ao risco de fuga e encaminhado à delegacia.

A vítima apresentava diversas lesões aparentes no rosto, boca, braços e pernas, compatíveis com agressões físicas. Já o suspeito tinha arranhões pelo corpo, que, segundo a ocorrência, podem ter sido causados durante as agressões.

O homem foi entregue à Polícia Civil e deve responder por lesão corporal, sequestro e cárcere privado e ameaça. O caso segue em investigação.

🚨Como pedir ajuda?

 

Interface do aplicativo ‘SOS Mulher MT’ — Foto: Reprodução

O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.

O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.

Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.

O que é a Lei Maria da Penha

 

A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Segundo a Lei Maria da Penha, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher.

Segundo o Instituto Maria da Penha, essa violência pode ser dos seguintes tipos:

  • Violência física: qualquer ação que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher. Exemplos: espancamentos, estrangulamento, cortes, sacudidas, entre outros
  • Violência psicológica: qualquer ação que cause dano emocional e diminuição de autoestima; prejudique e perturbe o desenvolvimento da mulher ou tente degradar e controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Exemplos: ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, entre outros
  • Violência sexual: qualquer ação que obrigue a vítima a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada. Exemplos: estupro, impedir uso de contraceptivos, forçar prostituição, entre outros
  • Violência patrimonial: qualquer ação que configure retenção ou destruição de objetos, instrumentos de trabalho, documentos, bens e valores da vítima. Exemplos: controle do dinheiro, destruição de documentos, estelionato, deixar de pagar pensão alimentícia, entre outros
  • Violência moral: qualquer ação que configure calúnia, difamação e injúria. Exemplos: acusar a mulher de traição, expor a vida íntima, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir, entre outros

 

O que é medida protetiva?

As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade.

São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família.

Quem pode solicitar?

Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão.

Como solicitar medida protetiva?

A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.

Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá — Foto: Polícia Civil

O Noroeste

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