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quarta-feira, março 11, 2026
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‘Não era por beleza, sim necessidade’, afirma filha após morte de empresária de MT durante cirurgia estética

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Yasmin Souza Menezes, filha da empresária Jéssica Santiago que morreu em uma cirurgia estética, afirmou a imprensa nesta quarta-feira (11) que o procedimento “não era por beleza, e sim por necessidade”.

A mãe dela morreu no dia 17 de fevereiro, em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá.

Os dois médicos responsáveis foram indiciados na segunda-feira (9) pela Polícia Civil por suspeita de homicídio culposo. Em depoimento, eles não falam em erro e citam que a lesão encontrada no corpo da vítima provavelmente foi fruto da pressão durante a reanimação.

Enquanto isso, o Conselho Regional de Medicina do estado (CRM-MT) informou, em nota, que abriu uma sindicância para verificar se houve alguma infração ao Código de Ética Médica. Esse é um procedimento preliminar para investigar possíveis irregularidades no exercício da profissão e tramitam sob sigilo.

Yasmin explicou que a mãe fez bariátrica em 2020 e ficou com excesso de pele, o que gerou nódulos que inflamavam e precisou passar por uma segunda cirurgia.

“Ela fez a retirada de pele em excesso de gordura ainda na primeira cirurgia, onde foi colocado um fio de Polidioxanona que deu rejeição. Por conta disso, surgiram os nódulos, que inflamavam e geravam pus, por isso precisou de uma nova cirurgia”, afirmou.

Por isso, ela conta que a cirurgia em Tangará seria para reverter esse quadro na perna.

“Ela ia reabrir novamente e tirar os nódulos das pernas, e ia aproveitar a anestesia para fazer a lipo. Então, não era por beleza, e sim por necessidade”, contou.

Yasmin destacou que a mãe detestava passar por cirurgias e que guardou até um áudio dizendo isso.

Ela conta ainda que a mãe sempre foi batalhadora, que começou a vender roupas ainda no tempo em que dava aulas de manhã e à tarde, enquanto à noite se dedicava ao empreendedorismo, o que deu origem à loja de roupas em Pontes e Lacerda, onde a família mora.

Por lá, Jéssica também deu aulas em uma comunidade indígena no território de Sararé, antes do local ser invadido pelo garimpo ilegal e por facções criminosas.

A lojinha começou pequena, na porte da casa da avó e os primeiros clientes de Jéssica eram as colegas de trabalho, as professoras, e alguns alunos. De lá para cá, as vendas aumentaram e elas se mudaram para o centro da cidade.

Porém, desde a morte de Jéssica, agora a Yasmin pensa em sair do aluguel e fixar a loja em outro ponto próximo da casa da avó, onde a família vai manter as vendas enquanto ela vai estudar odontologia em Cuiabá.

“Era o sonho da minha mãe me ver formada em odontologia”, disse.

Investigação

Segundo a investigação da Polícia Civil, um laudo de exame necroscópico e um laudo pericial complementar apontaram que a causa da morte de Jéssica foi identificada como pneumotórax bilateral provocada por perfuração da parede torácica posterior, ou seja, uma lesão compatível com instrumento cirúrgico usado durante o procedimento estético.

“A análise pericial estabeleceu nexo técnico entre o procedimento cirúrgico e as lesões identificadas, que resultaram em grave comprometimento da função respiratória e, posteriormente, no óbito da paciente”, diz trecho do inquérito.

A investigação é resultado da coleta de depoimentos, requisição de prontuários médicos e documentos hospitalares, bem como a realização de exames periciais pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

Diante disso, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que deve analisar as provas e adotar medidas judiciais.

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