Manifestação ocorreu após suposta investigação da Polícia Penal que apontou descarte das refeições no vaso sanitário da cela, na Penitenciária Federal de Brasília para simular a condição de saúde.
A defesa de Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado por suposta venda de sentenças em tribunais de Mato Grosso e outros estados, defende um laudo médico particular que contesta a avaliação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o estado de saúde do lobista.
Segundo o documento, a perda de cerca de 30 kg em oito meses não teria sido intencional, mas consequência do “estresse do encarceramento” aliado a condições clínicas preexistentes.
A manifestação ocorreu após uma suposta investigação da Polícia Penal que apontou que Andreson estaria descartando parte das refeições no vaso sanitário da cela, na Penitenciária Federal de Brasília para simular a condição de saúde.
Em nota, a defesa negou que a perda de peso tenha sido provocada deliberadamente e afirmou que o investigado é portador de doença neurológica, além de diabetes. “Hoje, mesmo sob monitoramento e se alimentando regularmente, ele continua perdendo peso de forma progressiva”, diz o texto.
Em fevereiro, o STF manteve a prisão do lobista em presídio de segurança máxima, ao entender que ele teria simulado um quadro de saúde para obter prisão domiciliar. No voto, o ministro Cristiano Zanin destacou que Andreson ganhou cerca de 13 quilos em três meses durante o período em que esteve fora do sistema prisional, o que, segundo ele, enfraqueceria a tese de uma doença grave e de evolução severa.
O laudo particular apresentado pela defesa, no entanto, sustenta que o quadro clínico é “complexo” e exige acompanhamento contínuo e multidisciplinar. O documento aponta que Andreson é paciente bariátrico, diabético e apresenta agravamento do estado de saúde no ambiente prisional.
A defesa também argumentou que o ganho de peso e a melhora funcional observados durante a prisão domiciliar podem ser explicados por uma rotina com “dieta hipercalórica e fracionada, suplementação e fisioterapia”, o que, na avaliação dos médicos, reforçaria a condição de vulnerabilidade do paciente.
“No tocante ao nexo entre ambiente prisional, perda de peso e funcionalidade, enfatizo que a perda ponderação observada no sistema federal é multifatorial e em grande medida, potencialmente reversível: resulta da interação entre diabetes, neuropatia grave, historia de cirurgia metabólica, diarreia recorrente, dieta institucional pouco individualizada e estresse do encarceramento”, diz trecho do laudo.
Esquema para lavar dinheiro

Um relatório preliminar da Polícia Federal (PF) apontou que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves utilizava a empresa Florais Transportes como parte de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que supostamente viria da venda de sentenças judiciais. Segundo o documento, o grupo articulava uma rede de intermediários que facilitava a movimentação de milhões de reais por dia nas contas da transportadora.
De acordo com as investigações, Andreson, apelidado de “mestre dos magos” em conversas interceptadas com seus articuladores, afirmava ter condições de movimentar valores expressivos sem levantar suspeitas.
O nome do empresário veio a público após ele ser alvo das Operações Ultima Ratio e Sisamnes, que afastou magistrados nos dois estados e apontou o lobista como uma peça importante para o esquema.
As investigações começaram em agosto de 2024, após mensagens no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em 2023, levantarem a suspeita de venda de decisões e levarem ao afastamento dos desembargadores de Mato Grosso, Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho.
Pelas conversas, a Polícia Federal apontou que o lobista seria um dos responsáveis por aproximar o advogado de Sebastião e João. Na operação Siamnes, a polícia prendeu Andreson e vasculhou a casa dos magistrados, que agora são monitorados por tornozeleira eletrônica.
Já na Operação Ultima Ratio cinco desembargadores de Mato Grosso do Sul foram afastados da função, e Andreson foi alvo novamente de busca e apreensão.
Perda de peso na prisão
Segundo a defesa, Andreson passou por uma cirurgia em 2020 chamada gastrectomia vertical com interposição ileal, procedimento que envolve a retirada de parte do intestino e altera significativamente a digestão e absorção de alimentos. Em fevereiro de 2025, enquanto estava na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, ele solicitou na Justiça o direito a uma alimentação especial, adequada à sua condição de saúde.
A defesa alega que ele teve crises dentro da unidade, com o psicológico comprometido e perda de peso, devido a uma alimentação inadequada e falta de contato com a família.
Na ocasião, a Justiça de Mato Grosso autorizou a entrega de refeições específicas três vezes por semana. Entre os itens autorizados estavam carne assada, atum, chocolates e outros alimentos compatíveis com sua dieta. No entanto, oito meses após a prisão, imagens da perícia mostram o lobista visivelmente debilitado, com aparência esquelética.




