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Sete irmãos seguem em abrigo após decisão barrar devolução aos pais investigados por abandono em MT

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A Justiça de Mato Grosso suspendeu a decisão que determinava o retorno de sete irmãos, com idades entre 11 meses e 11 anos, ao convívio dos pais. As crianças estão acolhidas em uma instituição desde o início de junho, quando foram encontradas sozinhas em uma casa em condições consideradas precárias pelo Conselho Tutelar.

A nova decisão foi proferida no plantão de sexta-feira (19) pelo desembargador Luiz Octávio O. Saboia Ribeiro, que atendeu parcialmente a um recurso e reformou a determinação do juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães, expedida também na sexta-feira, que autorizava a reintegração imediata dos menores à família.

Os pais, uma mulher de 32 anos e um homem de 35 anos, haviam sido presos em flagrante por abandono de incapaz, mas foram liberados após audiência de custódia.

Ao analisar o recurso, o desembargador entendeu que ainda não há elementos suficientes para justificar o retorno imediato das crianças ao lar. Segundo ele, não foram constatadas mudanças significativas na dinâmica familiar capazes de demonstrar a superação dos fatores de risco que motivaram o acolhimento institucional.

No vídeo gravado pela equipe que atendeu a ocorrência, é possível ver a geladeira da casa praticamente vazia. As imagens também mostram poucos alimentos armazenados nos armários da cozinha e a presença de insetos sobre produtos que estavam abertos.

Na decisão, o magistrado destacou ainda que os relatórios técnicos produzidos pelos órgãos de assistência social apontavam apenas a possibilidade de uma reintegração gradual e criteriosa, condicionada à evolução do acompanhamento dos pais e à efetiva redução das situações de vulnerabilidade identificadas.

Com a nova determinação, fica restabelecida provisoriamente a medida de acolhimento institucional dos sete irmãos até nova deliberação da Justiça.

Apesar da suspensão da reintegração familiar, a decisão mantém o direito de visita dos pais aos filhos e determina a continuidade do acompanhamento psicossocial da família por equipes da rede de assistência social.

O caso

 

Crianças resgatadas de abandono estão sob guarda do Conselho Tutelar em Sapezal
Crianças resgatadas de abandono estão sob guarda do Conselho Tutelar em Sapezal

As crianças, três meninos, de 10 meses, 5 e 11 anos, e quatro meninas, de 2, 4, 7 e 9 anos foram retiradas do convívio dos pais após uma denúncia do Conselho Tutelar.

De acordo com a Polícia Militar, seis das crianças foram encontradas sozinhas dentro da casa. O imóvel apresentava condições precárias, com forte cheiro de urina, presença de baratas, alimentos estragados e falta de comida na geladeira. Ainda segundo a polícia, as crianças relataram que estavam sem a presença de um responsável desde o meio-dia. A denúncia chegou às autoridades por volta das 22h20.

Enquanto o Conselho Tutelar realizava o acolhimento dos menores, os pais chegaram ao local. Conforme a Polícia Militar, os dois apresentavam sinais de embriaguez, situação confirmada pelo teste do bafômetro.

Durante o atendimento da ocorrência, as equipes descobriram que havia uma sétima criança da família. Ela foi localizada posteriormente em outra casa.

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