O Discord é uma plataforma de comunicação digital que permite que os usuários conversem por meio de mensagens de texto, voz e vídeo.
Megaoperação em MT e outros 11 estados mira grupo de adolescentes
Prints divulgados pela Polícia Civil mostram um adolescente de 15 anos, apontado como chefe de um grupo investigado por crimes na internet, ameaçando divulgar fotos e vídeos íntimos de uma das vítimas, durante uma conversa no WhatsApp (veja abaixo).
O adolescente é alvo da Operação Mão de Ferro 2, deflagrada em Mato Grosso e outros 12 estados, nesta terça-feira (27).
Além de ameaçar a vítima, o adolescente também entrou em contato com a mãe dela, enviando mensagens ofensivas dirigidas tanto à jovem quanto à mulher. Nas imagens é possível ver que o adolescente ameaça expor a adolescente caso ela não envie fotos de partes do corpo mutilado. “Gostou de se cortar?”, diz o adolescente.
O grupo do qual o adolescente faz parte é investigado por agir de forma articulada praticando crimes como promover a automutilação e o suicídio, além de perseguição, ameaças, produção e compartilhamento de materiais de abuso sexual infantil na internet, apologia ao nazismo e invasão de sistemas, incluindo o acesso ilegal a bancos de dados públicos.
O delegado responsável pelo caso, Gustavo Godoy, disse que até a última atualização desta reportagem nenhuma vítima deste grupo foi identificada em Mato Grosso. Até o momento, as vítimas identificadas são de São Paulo e do Ceará. A maioria das vítimas são mulheres e menores de idade.
Durante a operação, foram cumpridos em Mato Grosso três mandados: um de busca e apreensão contra uma adolescente de 16 anos, em Sinop, e dois de busca e apreensão e internação provisória contra o adolescente de 15 anos, em Rondonópolis. Os dois são investigados por fazerem parte do grupo.
Ao todo, 22 mandados de busca e apreensão, prisão temporária e internação socioeducativa são cumpridos em Manaus e Uruçará (AM), Mairi (BA), Fortaleza e Itaitinga (CE), Serra (ES), Sete Lagoas e Caeté (MG), Sinop e Rondonópolis (MT), Aquidauana (MS), Marabá, Barcarena, Canaã dos Carajás e Ananindeua (PA), Oeiras (PI), Lajeado (RS), São Domingos (SE), e São Paulo, Guarulhos, Porto Feliz, Itu, Santa Isabel e Altair (SP).
Os crimes aconteciam principalmente em plataformas como WhatsApp, Telegram e Discord, onde os suspeitos compartilhavam conteúdos violentos, incentivavam comportamentos autodestrutivos, faziam ameaças e expunham publicamente vítimas.
As penas, somadas, podem ultrapassar 20 anos de reclusão, além de multas. Os investigados podem responder pelos crimes:
No Brasil, a rede social diz que só permite acesso para adolescentes a partir dos 13 anos. O aplicativo é usado principalmente por adolescentes que querem jogar e conversar ao mesmo tempo, e, inclusive, foi desenvolvido com esse propósito.
Agressores têm se aproveitado das transmissões em vídeo ao vivo da plataforma para, por exemplo, chantagear vítimas a cumprir desafios sob a ameaça de ter fotos íntimas vazadas, conforme reportagem do Fantástico mostrou em maio de 2023.
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