A trabalhadora que perdeu as filhas gêmeas após entrar em trabalho de parto no frigorífico que atuava e ter a saída negada pelo supervisor é venezuelana e recebia R$ 1.975,60. Conforme consta no processo que resultou na condenação da empresa, ela começava a jornada de trabalho às 3h30 e estendia até às 13h18, com uma hora de intervalo. A multinacional BRF, responsável pelo frigorífico em em Lucas do Rio Verde (MT), foi condenada, na segunda-feira (23), a pagar R$ 150 mil por danos morais à mulher.
A reportagem tentou contato com a BRF, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
A decisão judicial reconheceu que a empresa negligenciou o estado de saúde da funcionária, que, mesmo com oito meses de gestação, continuou sendo mantida em sua rotina de trabalho.
De acordo com o processo, no dia em que perdeu os bebês, ela começou a passar mal por volta das 3h40, logo no início do expediente. Após isso, pediu ao gestor imediato que a liberasse, mas a saída foi negada sob a justificativa de que isso atrapalharia a linha de produção.
Mais tarde, a funcionária decidiu sair da empresa por conta própria e sentou em um banco próximo ao ponto de ônibus, na entrada do frigorífico, na tentativa de conseguir transporte até uma unidade de saúde. Sem conseguir socorro a tempo, deu à luz no local. De acordo com os relatos médicos, as gêmeas chegaram a receber reanimação cardiorrespiratória por 30 minutos no hospital, mas não resistiram.
O mesmo supervisor citado na decisão que condenou a BRF já havia sido denunciado por outras duas funcionárias grávidas por assédio moral no ambiente de trabalho em outras ações movidas contra a empresa.
Em 2019, uma funcionária entrou com ação na Justiça do Trabalho do Mato Grosso relatando que, após comunicar à empresa sobre sua gravidez e apresentar recomendação médica para redução de esforço físico, teve o pedido ignorado.
De acordo com a Justiça, uma das funcionárias entregou, à época, um laudo para alteração de função após sofrer complicações na gestação, mas o supervisor teria alegado que “na verdade, ela não queria trabalhar”. Em seguida, foi aplicada uma suspensão de meio período a ela.
Ainda no processo, a mulher afirmou que foi humilhada pelo líder direto após reclamar dos problemas enfrentados na gravidez. Em uma das ocasiões, ele teria dito: “vou deixar você descansar então, vá para casa, você está suspensa”.
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