A formuladora de combustíveis que enganou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para se tornar milionária reutilizou documentos de uma empresa alvo da megaoperação Carbono Oculto para aplicar o mesmo golpe em Mato Grosso, segundo o Ministério Público Estadual (MPE). As investigações apontam que a NEOVG, empresa de Várzea Grande (MT), tem como sócio o integrante do PCC e um dos chefes do esquema, Roberto Augusto Leme Da Silva, o Beto Loko.
A reportagem tenta contato com as empresas citadas.
A operação deflagrada nesta quinta-feira (28) desmantelou uma rede de fraudes fiscais e adulterações de combustíveis em mais de 300 postos pelo país. Beto Loko, que está entre os alvos, era investigado por envolvimento com a Copape Produtos de Petroleo Ltda., empresa ligada ao Grupo Aster, e também investidora da empresa mato-grossense investigada por causar prejuízos milionários aos cofres públicos.
Conforme a operação realizada pelo Ministério Público em maio deste ano, a empresa de Beto Loko foi a responsável por inflar patrimônio da NEOVG, que saiu do zero ao milhão em pouco tempo.
As estratégias usadas pela empresa para fraudar a abertura do empreendimento:
Criada em 2002, a NEOVG declarou inicialmente um capital social de R$ 840 mil — dos quais R$ 800 mil seriam provenientes de três propriedades rurais que, segundo as investigações, não pertenciam à empresa. Apenas dois meses após a abertura, o capital social foi artificialmente elevado para R$ 13,1 milhões, valor exigido à época para autorização da ANP.
Com mudanças na legislação, a partir de 2012, o capital mínimo exigido para operar como formuladora passou a ser de R$ 20 milhões. Para manter a autorização, a NEOVG anunciou a entrada da Maiori Participações Ltda. como sócia, com 40% de participação, o que teria elevado o patrimônio declarado para mais de R$ 113,9 milhões. No entanto, o Ministério Público afirma que esse aporte jamais existiu.
De acordo com a Receita Federal, uma complexa rede de fundos de investimentos ligados ao PCC, estruturados com um único cotista e camadas sucessivas de empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos. Esses fundos seriam usados para financiar a compra de bens e empresas, como no caso da NEOVG.
Beto Loko teria ingressado oficialmente na estrutura da empresa por meio de um desses fundos, no caso a Copape, reforçando a ligação entre o grupo criminoso e o setor de combustíveis.
Documentos reaproveitados de empresa investigada
Durante as investigações, uma perícia realizada nos computadores da sede da NEOVG/EGCEL revelou documentos originalmente produzidos pela COPAPE, que foram alterados e reutilizados pela empresa mato-grossense. Entre eles, estavam formulários de controle e acompanhamento de produção.
Também foi localizada uma planilha intitulada “camaras de espuma.xls”, criada pela COPAPE em 1998 e modificada pela NEOVG/EGCEL em 2021.
A análise dos metadados dos arquivos confirmou o compartilhamento de documentos operacionais, mesmo décadas após sua criação, corroborando a relação entre as duas empresas.
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