O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) rejeitou, no último dia 15, um novo recurso apresentado pelo vereador de Rondonópolis, Ary Campos (PT), e manteve a cassação de seu mandato por suspeita de uso de dinheiro da facção criminosa Comando Vermelho para financiar a campanha nas eleições municipais de 2024. Além da perda do cargo, a Corte determinou a inelegibilidade do parlamentar por oito anos.
A decisão, relatada pelo juiz Raphael de Freitas Arantes, foi unânime entre os membros do colegiado e confirmou sentença de primeiro grau proferida em maio. Na ocasião, o diretório municipal do PT havia classificado a cassação como resultado de perseguição política e judicial contra lideranças populares, mas os argumentos não sensibilizaram a Justiça Eleitoral.
Em junho, Campos conseguiu permanecer no cargo de forma provisória, após o TRE conceder liminar a seu favor. No entanto, ao analisar o mérito do recurso no mesmo mês, o tribunal voltou a confirmar a cassação. Agora, com o julgamento dos embargos, a situação do vereador se complica ainda mais.
Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), a investigação começou após a apreensão de celulares dentro de presídios, que continham conversas de detentos pedindo votos para o candidato petista. O material apontava uma estratégia da facção para recrutar eleitores, exigindo que cada preso conseguisse ao menos quatro pessoas dispostas a registrar seus dados eleitorais em troca de apoio.
Diálogos extraídos dos aparelhos mostram detentos orientando simpatizantes a fornecer informações como número do título de eleitor, seção e local de votação. Em uma das mensagens, um preso afirma: “Cada um aqui tem que arrumar quatro pessoas. Senão, o bagulho fica estreito”. Outra conversa revela a ordem de apoiar diretamente o vereador: “Esse ano nós tem que ganhar, nós tem que representar o nosso vereador aí”.
Além do aliciamento de votos, o MPE aponta que a facção também teria usado a extorsão de comerciantes para levantar recursos destinados à campanha de Ary Campos. Lojistas que já pagavam “taxa de segurança” ao Comando Vermelho teriam sido pressionados a contribuir financeiramente com reuniões políticas, algumas realizadas em áreas controladas pela facção.
Uma das provas citadas é o pedido de um faccionado à proprietária de uma conveniência para custear um encontro de campanha, divulgado na própria rede social do vereador.
Apesar da confirmação da cassação, ainda cabe recurso. Caso o diretório regional do PT decida recorrer, o processo seguirá para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.
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