InícioApós Justiça barrar greve, servidores do Poder Judiciário protestam na Assembleia

Após Justiça barrar greve, servidores do Poder Judiciário protestam na Assembleia

Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso realizaram uma manifestação em frente à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, nesta quarta-feira (21), em defesa de reajuste salarial de 6,8% para todas as classes e níveis da carreira, além de mudanças no plano de cargos. Apesar do ato, a greve que estava prevista para começar hoje foi suspensa por decisão judicial.

A paralisação foi barrada por determinação do desembargador Rodrigo Roberto Curvo, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que considerou o movimento ilegal e ordenou a suspensão imediata da greve. A decisão também fixou multa diária de R$ 200 mil ao Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat) em caso de descumprimento.

Mesmo com a liminar, os servidores montaram um acampamento em frente ao Parlamento estadual. A mobilização começou com adesão reduzida no período da manhã, mas a expectativa é de reforço no início da tarde, quando está prevista sessão extraordinária na Assembleia.

Em declaração à imprensa, a presidente da Federação dos Servidores de Mato Grosso, Carmem Machado, afirmou que a categoria vai recorrer da decisão judicial. Segundo ela, a multa imposta é excessiva e contraria entendimentos do Supremo Tribunal Federal.

A desembargador responsável pela decisão apontou que o movimento não cumpriu exigências previstas na Lei de Greve. Entre os pontos citados estão a falta de comprovação de que as negociações foram esgotadas antes da deflagração da paralisação e a inexistência de um plano para garantir a continuidade dos serviços essenciais à população.

Na fundamentação, o magistrado também destacou que o próprio sindicato solicitou a abertura de um canal institucional de diálogo ao comunicar a greve, o que indicaria que ainda havia espaço para negociação. Outro fator considerado foi o impacto da paralisação no funcionamento do Judiciário, especialmente no momento de retomada dos prazos processuais após o recesso.

O reajuste salarial reivindicado pela categoria chegou a ser aprovado pelos deputados estaduais no dia 19 de novembro, mas acabou vetado integralmente no dia 1º de dezembro pelo governador Mauro Mendes. À época, o Executivo alegou ausência de estudos consolidados de impacto financeiro e falta de indicação de fonte permanente de custeio por parte do TJMT.