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Vereador afastado repassou mais de R$ 3 milhões em emendas para instituto I MT

A investigação da Polícia Civil que resultou no afastamento do vereador Chico 2000, sem partido, aponta que o parlamentar teria destinado, por meio de emendas parlamentares, mais de R$ 3 milhões ao Instituto Brasil Central (Ibrace), entre 2023 e 2025. O dinheiro seria designado para execução de corridas de rua, no entanto, a polícia apontou que parte foi desviado para outros fins, como a reforma de um imóvel do vereador.

TV Centro América entrou em contato com a defesa do vereador, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A reportagem também tenta localizar a defesa do instituto.

A apuração integra a Operação Gorjeta, deflagrada nesta terça-feira (27), que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esportes. Além do afastamento do vereador, foram cumpridos mandados de busca, determinadas medidas cautelares e o bloqueio de bens.

Levantamento no Portal da Transparência mostra que, entre 2022 e 2025, Chico 2000 destinou cerca de R$ 3,65 milhões em emendas parlamentares ao Ibrace. Os recursos teriam como finalidade a realização de eventos esportivos, como a Corrida do Legislativo e a Corrida do Bom Jesus de Cuiabá, mas a investigação aponta que parte dos recursos voltou ao parlamentar de forma indireta.

Mensagens de texto trocadas entre o vereador e outros investigados indicam a existência de transferências financeiras supostamente trianguladas entre o Ibrace e a empresa Chiroli Esportes, de propriedade de João Nery Chiroli, também investigado.

A investigação aponta ainda que o Ibrace, presidido por Alex Jony Silva, teria atuado como uma “entidade de passagem”, funcionando como intermediário formal no esquema. De acordo com o conteúdo extraído de celulares apreendidos, a Chiroli Esportes era a real organizadora das corridas, enquanto seu proprietário atuaria informalmente como representante do Ibrace.

Triangulação

As apurações indicam ainda que o Instituto recebia os recursos públicos e, em seguida, repassava os valores à empresa Chiroli Esportes. Ainda conforme as conversas analisadas, após esses repasses, houve a transferência de R$ 20 mil da empresa para uma conta indicada por Chico 2000, em nome de uma pessoa identificada pela polícia como pedreiro e construtor contratado pelo vereador.

Ainda conforme as apurações, no dia seguinte ao recebimento dos recursos, houve a transferência de R$ 20 mil para a conta do pedreiro responsável por reformas da pousada apontada pela investigação como sendo de propriedade do vereador.

De acordo com os autos, a transação teria sido intermediada pelo chefe de gabinete do parlamentar, Rubens Vuolo Júnior, que encaminhou o comprovante da transferência ao vereador com a legenda “na conta”.

Chico 2000 é apontado como o principal alvo da operação. A Polícia Civil apura se os repasses foram irregulares e se houve desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e peculato.

A reportagem tenta localizar a defesa dos citados na reportagem.

Operação Gorjeta

A Câmara de Vereadores foi isolada nesta terça-feira (27) enquanto policiais cumpriam mandados de busca e apreensão. Além do vereador, a operação teve como alvos o servidor da Câmara Municipal de Cuiabá Alex Jones Silva e o empresário João Nery Chirol, proprietário da empresa Chirolli Uniformes, o chefe de gabinete de Chico 2000 Rubens Vuolo Júnior, Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mario Nadaf), e Magali Gauna Felismino Chiroli.

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 75 ordens judiciais, incluindo 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em celulares e outros dispositivos eletrônicos.

Como parte da operação, a Justiça determinou ainda o afastamento do vereador Chico 2000 do mandato parlamentar e a suspensão do exercício da função pública de dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá.

A decisão judicial ainda determinou o bloqueio de R$ 676 mil em contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de veículos, uma embarcação, um reboque e imóveis.

Suspeita de corrupção

Há cinco meses, os vereadores Chico 2000 e Sargento Joelson (PSB) foram afastados da Câmara Municipal após se tornarem alvos da Operação Perfídia, por suspeita de pagamento de propina para a aprovação de projetos no Legislativo.

Pouco depois, a Justiça aprovou o retorno dos dois vereadores ao Legislativo.

Quem é Chico 2000?

Seu verdadeiro nome é Francisco Carlos Amorim Silveira, conhecido como Chico 2000. Ele nasceu em Iúna, no Espírito Santo, no dia 24 de março de 1955. Ele tem 69 anos e atuou como advogado e profissional da área contábil, e chegou a ser garçom.

Chico foi reeleito para seu sexto mandato. Ele foi primeiro secretário da Câmara, já atuou como presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, além de ter presidido a Comissão de Fiscalização Orçamentária.

Ele também já foi presidente da Câmara no biênio 2023/2024.

O Noroeste

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