30 C
Cuiabá
quinta-feira, fevereiro 19, 2026
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
InícioALMTDeputada diz que Carnaval deixou marcas de violência contra mulher em MT

Deputada diz que Carnaval deixou marcas de violência contra mulher em MT

- Advertisment -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

A deputada estadual Janaina Riva (MDB) afirmou que o Carnaval em Mato Grosso foi marcado por casos de violência doméstica e feminicídio e apontou falhas do Estado na proteção de mulheres que já haviam denunciado seus agressores.

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, a parlamentar citou o feminicídio de uma professora morta pelo companheiro, mesmo estando amparada por medida protetiva, e criticou a exposição indevida de vítimas pela Polícia Civil.

O caso mencionado por Janaina é o da professora da rede municipal, Luciene Naves Correia, de 51 anos, assassinada dentro de casa pelo ex-marido, em Cuiabá. Segundo a deputada, a vítima havia comunicado ao Estado pelo menos duas vezes o descumprimento da medida protetiva. Ainda assim, o agressor não utilizava tornozeleira eletrônica.

“Essa mulher morreu com medida protetiva, ele não tinha tornozeleira, uma falha do sistema. Ela comunicou duas vezes ao Estado que as medidas estavam sendo infringidas e infelizmente acabou vítima de todo esse sistema falho do combate ao feminicídio e à violência doméstica”, afirmou.

O agressor chegou a ser interceptado pela polícia quando seguia para atacar a filha da vítima. Para a deputada, o caso evidencia a importância do policiamento ostensivo e preventivo, mas também escancara falhas estruturais. “Quando tem policial na rua, trabalho preventivo, eles conseguiram impedir que ele matasse a filha. Mas a mulher já tinha sido morta”, declarou.

Janaina Riva também relatou um segundo caso de violência doméstica envolvendo uma mulher que procurou ajuda, mas não quis ter o boletim de ocorrência divulgado. A deputada criticou a atuação da Polícia Civil, afirmando que a exposição pública acaba vitimando novamente quem já sofreu violência. “Não dá mais para a Polícia Civil continuar vitimando duplamente as vítimas de violência. A mulher procura a polícia querendo proteção, não exposição”, disse.

Segundo a parlamentar, a vítima relatou que a divulgação do caso tem causado prejuízos profissionais e emocionais. “Ela me disse: ‘deputada, eu tenho um filho com ele e não gostaria de ver todo mundo falando da denúncia que fiz com o intuito único e exclusivo de me preservar’”, afirmou, ao defender que a divulgação de ocorrências deve respeitar a vontade da mulher.

Os casos citados pela deputada ocorrem em um cenário de aumento da violência contra a mulher em Mato Grosso. Dados de 2025 apontam que o estado registrou mais de 50 feminicídios ao longo do ano, com a maioria dos crimes cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, geralmente dentro de casa.

Ao final do pronunciamento, Janaina reforçou que a violência doméstica não pode ser relativizada nem tratada como questão privada. “A violência doméstica não é personalíssima. Pode ser um pai, um irmão, pode ser um filho, mas todos devem responder conforme as nossas leis. Quem comete violência tem que responder na Justiça, independentemente de quem seja”, concluiu.

- Advertisment -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
- Advertisment -