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quinta-feira, fevereiro 19, 2026
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Em áudio, feminicida diz à filha que iria “explodir a cabeça” da ex por ela não reatar relacionamento; ouça

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Lucieni Naves Correia, de 51 anos, que foi assassinada a tiros pelo ex-marido Paulo Neves Bispo, de 61 anos, em 16 de fevereiro em Cuiabá, vivia sob ameaças de morte. Um registro em áudio mostra o autor do feminicídio confessando à filha do ex-casal o plano de tirar a vida de Lucieni.

No registro, o agressor demonstra impaciência e descarta qualquer possibilidade de aguardar uma reconciliação pacífica. Não vou ficar do jeito que estou mais, você está vendo a situação em que eu estou. Não vou esperar amanhã, semana que vem, não vou esperar… Você pode chegar e falar com a sua mãe“. (Ouça o áudio Abaixo)

Durante a conversa, a filha tenta intervir, lembrando que o pai possuía rede de apoio familiar e irmãos que poderiam acolhê-lo, pontuando que ele permanecia em situação de rua por escolha própria. Ela chega a mencionar o medo constante da mãe, relatando um episódio em que Lucieni precisou se trancar no banheiro para se proteger.

Irritado com os argumentos, Paulo eleva o tom das ameaças, direcionando a violência não apenas à ex-mulher, mas também a outros familiares. Ele chega a desafiar a intervenção das autoridades, afirmando que colocaria um “ponto final” antes de qualquer ação policial.

Em um dos trechos mais fortes da gravação, o homem tenta justificar sua revolta: “Eu não estou errado, o que eu fiz para ela estar com raiva de mim? Eu vou descarregar mesmo, enquanto eu não ver o miolo de fora”.

VIDEO 1:

O crime

Luciene Naves Correia, de 51 anos, foi morta a tiros, na casa onde morava no Bairro Osmar Cabral, em Cuiabá — Foto: Reprodução
Luciene Naves Correia, de 51 anos, foi morta a tiros, na casa onde morava no Bairro Osmar Cabral, em Cuiabá — Foto: Reprodução

Lucieni foi assassinada por volta das 7h15, na casa dela, na Rua 14, no bairro Osmar Cabral. A Polícia Militar foi acionada com a informação de que no local havia ocorrido um feminicídio e que o assassino havia fugido em direção ao bairro Liberdade, indo à casa da filha dele, com a intenção de matá-la também.

Durante a fuga, Paulo se deparou com um PM à paisana, que efetuou disparos para contê-lo. O feminicida não resistiu aos ferimentos e morreu. Paulo e Lucieni foram casados por mais de 20 anos e estavam em processo de separação desde 2019.

A vítima era professora na Escola Municipal Constança de Bem Bem, localizada no bairro Jardim Fortaleza. Ela trabalhou na educação do município ininterruptamente desde 2009 e atualmente atuava como Cuidadora de Aluno com Deficiência (CAD).

Mulher vivia um pesadelo

Em entrevista ao MT1, da TV Centro América, Etieny Naves Correia de Almeida fez duras críticas à Justiça e relembrou ameaças feitas pelo pai.

Segundo Etieny, a mãe buscou ajuda de familiares, vizinhos e das autoridades, mas o agressor acabou sendo liberado mesmo após intervenções policiais. “A primeira pessoa que matou minha mãe foi a Justiça”, afirmou. Ela relatou que Paulo chegou a ser retirado de casa pela polícia, mas não permaneceu preso porque alegava problemas de saúde. “Ele mentia que era doente”, disse.

Para a filha, o feminicídio não começou no momento dos disparos, mas muito antes. “A morte da minha mãe não começou no tiro que ela tomou, começou quando ela pediu para ele não chegar mais perto dela e ninguém fazia nada, porque todo mundo achava que ele não tinha coragem”, lembra. Etieny também afirmou que o pai ameaçava a mãe diariamente. “Ele foi na minha casa e falou na minha cara que ia matar ela.”

A filha também destacou a trajetória de trabalho e sacrifício da mãe. Segundo ela, Lucieni dedicou a vida ao trabalho para sustentar o então marido, apesar dos problemas enfrentados dentro de casa. “Minha mãe não vestia bem, não comia bem, não passeava. A vida dela era só trabalhar”, disse. “Ela trabalhou 30 anos para matar a fome, para comprar remédio, para dar de comer, de vestir e onde morar pra quem tirou a vida dela.

VIDEO 2:

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