Produção retrata a figura histórica conhecida como Mãe Bonifácia, uma mulher negra alforriada que viveu em Cuiabá no fim do século 19 e teve papel importante na luta dos escravizados da época.
O longa-metragem “Mãe Bonifácia”, dirigido por Salles Fernandes e estrelado pela atriz Zezé Motta, será exibido pela primeira vez no dia 31 de março de 2026, no Cine Teatro Cuiabá, com entrada gratuita, a partir das 19h30.
A produção retrata a figura histórica conhecida como Mãe Bonifácia, uma mulher negra alforriada que viveu em Cuiabá no fim do século 19 e teve um papel importante na luta dos escravizados da época.
As gravações foram realizadas entre abril e maio de 2025, em uma chácara de Sorriso, a 420 km da capital.
Salles é paraibano, mas vive em Mato Grosso desde 1996 e trabalha como cineasta desde 2003, com vários projetos independentes. Esse é o primeiro longa-metragem dirigido apenas por ele, que também é um dos roteiristas do filme. O projeto conta com recursos da Lei Cultural Paulo Gustavo e apoio da Prefeitura de Sorriso, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.
Já Zezé, que possui mais de 50 anos de carreira, mais de 100 papéis e 11 discos gravados, é pioneira na luta por mais espaço para as mulheres negras na arte. Uma das personagens mais importantes de sua carreira, inclusive na opinião da própria atriz, é “Xica da Silva”, filme de 1976 sobre uma escravizada que se tornou uma dama na sociedade de Diamantina.
Quem é Mãe Bonifácia
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A trajetória da Mãe Bonifácia ainda é uma incógnita para muitos pesquisadores. Historiadores afirmam que a maior parte do que se sabe foi passada de geração para geração de forma oral, até ano passado, em que pesquisadores encontraram nos arquivos da Cúria Metropolitana de Cuiabá, o registro do óbito de Mãe Bonifácia, morta aos 80 anos, em 19 de fevereiro de 1867.
Relatos apontam que ela viveu na Avenida Lavapés, diz Aníbal Alencastro, geógrafo, pesquisador e autor de livros sobre Cuiabá. Segundo ele, em frente à casa ficava um córrego, e Mãe Bonifácia orientava os escravizados a seguirem pela água para que não pudessem ser farejados pelos cães dos capitães do mato, homens contratados para recapturar os negros fugitivos.
O apelido de “mãe” veio pelo fato de ela ter sido considerada muito bondosa para os negros.
Em dezembro de 2000, o parque estadual Mãe Bonifácia foi inaugurado como uma homenagem ao ícone de força e resistência, na região central de Cuiabá, com uma área verde de 77 hectares e aproximadamente dez quilômetros de trilhas.




