Um dos principais líderes ruralistas no Congresso Nacional, o senador Jayme Campos (União-MT) manifestou nesta quarta-feira, 4, apoio à ratificação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Durante a votação da matéria, aprovada pela unanimidade dos senadores, ele fez, porém, um alerta contundente para o que classificou como “ameaças injustas” e “barreiras disfarçadas” contra o agronegócio brasileiro.
Em seu pronunciamento, Campos destacou que o entendimento, negociado ao longo de 26 anos, está entre os mais relevantes já firmados pelo Brasil e envolve um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. Para ele, a abertura comercial representa uma oportunidade concreta para ampliar exportações, atrair investimentos e gerar emprego e renda em todo o país.
O senador mato-grossense afirmou que o Brasil não pode aceitar restrições comerciais impostas de forma indireta ao setor produtivo nacional. Na avaliação dele, argumentos ambientais têm sido usados, em alguns casos, de forma seletiva como instrumento de proteção de mercados estrangeiros, criando obstáculos indevidos ao agro brasileiro.
“O Brasil precisa tratar esse acordo com visão estratégica, mas também com responsabilidade. Não podemos aceitar, em hipótese alguma, ameaças injustas ou barreiras disfarçadas contra o agronegócio brasileiro” – ele sustentou.
Para o senador mato-grossense, apoiar a ratificação não significa abrir mão da defesa dos interesses nacionais. Ao contrário, ele defendeu que a implementação do acordo ocorra com equilíbrio, respeito mútuo e condições justas de concorrência, de modo a evitar distorções de mercado e medidas protecionistas travestidas de exigências técnicas ou ambientais.
Ele também afirmou que a aprovação deve ser acompanhada de salvaguardas claras e precisas, capazes de proteger os produtores brasileiros diante de eventuais desequilíbrios comerciais. Segundo ele, com regras justas e diálogo, o Brasil poderá consolidar os benefícios do acordo sem comprometer a segurança de quem produz.
Campos ressaltou que o Brasil reúne condições plenas de competir internacionalmente, especialmente no setor agropecuário. Segundo ele, o país é uma “potência agroambiental”, com um agronegócio produtivo, competitivo e comprometido com a responsabilidade ambiental.
Ao final, o parlamentar declarou apoio à aprovação do PDL 41/2026, relatado pela senadora Tereza Cristina (PL-MS), e reforçou que o país deve se manter aberto ao comércio internacional, “mas sempre com soberania, responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento”.
GARGALOS HISTÓRICOS
O senador ainda associou a competitividade do agro à necessidade de avanços em infraestrutura e segurança jurídica. Ao citar reunião realizada com o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, no âmbito da Frente Parlamentar de Logística, ele observou que o Brasil continua competitivo mesmo diante de gargalos históricos.
Como exemplo, mencionou Mato Grosso, estado que, apesar da distância dos grandes centros consumidores e das dificuldades logísticas, segue como protagonista da produção nacional. Jayme Campos voltou a cobrar soluções para entraves em transporte e portos, além da retomada de projetos estruturantes, como a Ferrogrão.




