Lourival Lucena Pinto Filho, é considerado o principal suspeito do feminicídio. — Foto: Reprodução
Os dois filhos de Gabia Socorro da Silva, de 38 anos, morta por feminicídio na quarta-feira (10), foram ouvidos pela Polícia Civil e disseram acreditar que o padrasto, Lourival Lucena Pinto Filho, de 32 anos, esteja morto. Segundo eles, um terceiro irmão, que continua foragido, afirmou que mataria o suspeito.
Os dois foram presos na quarta-feira (10), durante o velório da mãe, em Confresa, após sequestrarem o padrasto, que é suspeito de cometer o crime. Em depoimento, eles disseram à polícia que outro irmão, teria participado do sequestro do padrasto com a ajuda de um quarto homem. Segundo eles, os dois fugiram levando o suspeito para um local desconhecido.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Onias Estevam Pereira Filho, Lourival é considerado o principal suspeito do feminicídio. A polícia tenta localizar o homem e trabalha com a hipótese de que ele possa ter sido morto.
“Nós acreditamos que ele esteja morto porque, quando eles saíram do local o ameaçaram de morte. Em seguida, ele foi levado e até agora não o achamos”, contou.
Até o momento, nem o terceiro irmão nem o suspeito de feminicídio foram encontrados. As buscas continuam.
Gabia foi atingida por pelo menos três golpes de faca na região do abdômen, conforme análise preliminar da perícia. A polícia informou que o filho adolescente foi quem encontrou a mãe morta dentro de casa.
Segundo a investigação, após descobrirem a morte da mãe, três filhos de Gabia foram até a casa do suspeito, onde ele foi agredido. Em seguida, os jovens colocaram o homem em uma motocicleta e o levaram do local. Desde então, ele não foi mais visto.
O pai do suspeito contou à polícia que ouviu dos jovens a ameaça de que eles matariam o homem. A última vez que ele foi visto foi na casa do pai, que fica a poucos metros da casa onde a vítima foi encontrada morta.
Durante as investigações, o adolescente de 16 anos foi apreendido e o irmão dele, de 22, foi preso pela Polícia Militar durante o velório da mãe, em Confresa. Os dois são suspeitos de envolvimento no sequestro do padrasto.
Lourival já havia sido preso anteriormente por agredi-la em um caso de violência doméstica, segundo a Polícia Civil.
O histórico de violência entre o casal já havia sido registrado pela polícia. Em um dos casos, o suspeito foi preso em flagrante após a vítima relatar que foi agredida durante a madrugada.
Na ocasião, ela decidiu renunciar ao pedido de medidas protetivas e o homem foi liberado após audiência de custódia.
O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.
O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.
Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a Lei, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher.
O Instituto Maria da Penha aponta que essa violência pode ser dos seguintes tipos:
As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família.
Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão.
A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.
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