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Infraestrutura, logística e consumo: entenda expansão e desafios econômicos de Cuiabá nos próximos anos

O setor de infraestrutura, logística e uma nova mudança no comportamento do consumo das famílias devem impulsionar o crescimento econômico de Cuiabá nos próximos anos. A capital de Mato Grosso celebra 307 anos nesta quarta-feira (8), marcada também pelo desafio de acompanhar o ritmo da economia dos municípios do interior dominados pelo agronegócio.

Nos últimos 10 anos, Cuiabá cresceu 98% e alcançou R$ 23 bilhões, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do município Júnior Macagnam.

Esse cenário é reflexo direto, segundo ele, do descompasso da economia da capital quando comparada com o desempenho do interior.

“O ponto central não é o mérito inegável do interior, mas o fato de a nossa região metropolitana estar perdendo fôlego e atratividade para novos investimentos”, diz.

Para reverter essa situação, a prefeitura trabalha em duas frentes. A primeira consiste em resgatar o potencial econômico do Centro Histórico e da Orla do Porto, de acordo com o secretário do município de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fernando Medeiros.

“No caso específico da Orla do Porto, há um projeto estruturado que integra equipamentos públicos, comércio, turismo e economia criativa, com potencial para consolidar a região como um dos principais polos de desenvolvimento da cidade”, afirma.

Já o segundo foco é investir na expansão urbana ligada à infraestrutura que já existe na capital, dando mais atenção ao planejamento das novas casas.

O principal desafio continua sendo as dificuldades financeiras das últimas gestões na prefeitura, segundo Medeiros, o que gera impactos diretos na capacidade de investimento no curto prazo.

“Também há o desafio de tornar o ambiente de negócios mais ágil e competitivo, com a redução de entraves burocráticos e estímulo à abertura de novos empreendimentos”.

Abertura e fechamento de empresas

O ambiente econômico de Cuiabá é dominado pelo setor de serviços, comércio e indústria.

Até o dia 19 de março deste ano foram abertas 6.254 mil empresas em serviços; no comércio, foram 2.036 e na indústria foram 983, conforme dados da Jucemat (confira mais detalhes abaixo).

Para Macagnam, o ritmo da economia de Cuiabá causa preocupação. “O setor de serviços é o que mais tem crescido, pois o agro utiliza esse setor aqui na capital. Porém, o que a gente observa é que ao longo dos últimos 20 anos, cidades do interior cresceram absurdamente mais que Cuiabá, mais que a região da baixada”, explica.

Ele ressalta a força econômica de Mato Grosso, com um Produto Interno Bruto (PIB) que costuma crescer mais que a média nacional.

“Nós não podemos perder a oportunidade de fazer com que a nossa cidade cresça tanto quanto cresce o interior do estado. Dados do IBGE que comparam a evolução do PIB municipal entre 2010 e 2020 revelam um cenário que exige reflexão. É natural que cidades mais jovens e com fronteiras agrícolas em expansão apresentem saltos percentuais maiores, pois crescem sobre uma base menor. No entanto, o que nos preocupa é o ritmo de Cuiabá”, diz.

O que chama atenção é que o mesmo setor que mais abre empresas, também é o que mais fecha. Até o dia 19 de março deste ano foram fechadas 3.114 empresas no setor de serviços; no comércio, foram 1.400 e na indústria foram 553, segundo dados da Jucemat (veja mais detalhes abaixo).

Expansão

Para Medeiros, o principal desafio para expandir ainda mais passa pela superação dos gargalos estruturais históricos da capital, especialmente o déficit de infraestrutura urbana, como mobilidade, drenagem e saneamento.

“Estão previstas parcerias público-privadas para viabilizar projetos estruturantes, especialmente nas áreas de infraestrutura e turismo”, diz.

Já Macagnam aponta que o crescimento da capital deixou de ser centralizado e se espalhou em três frentes.

  • Região norte: especialmente ao longo da Rodovia Helder Candia (Estrada da Guia) e da Rodovia Emanuel Pinheiro (Estrada da Chapada), são locais que atraíram condomínios horizontais de médio e alto padrão. A duplicação das rodovias e a valorização do eixo que leva ao Lago do Manso atraíram um grande volume populacional. Esse adensamento gerou uma demanda imediata por serviços e varejo de proximidade, transformando antigas rotas de passagem em corredores comerciais pulsantes.
  • Sul: ancorada pelo Distrito Industrial, continua sendo um motor vital. O crescimento é orientado pela geração de empregos formais. A instalação de novas indústrias exige mão de obra local, o que fomenta o surgimento de novos bairros e conjuntos habitacionais. O trabalhador busca morar próximo ao emprego para ganhar qualidade de vida. Como resultado, o setor de serviços e o comércio varejista se expandem para atender essa massa trabalhadora, criando novos polos autossustentáveis.
  • Avenida das Torres: um dos maiores exemplos de crescimento exponencial em Cuiabá, que transformou a região em um imã para investimentos imobiliários. O surgimento de centros comerciais ao longo da avenida demonstra a confiança do empresariado no potencial de consumo do local.

Segundo Macagnam, o crescimento econômico deve estar ligado ao planejamento urbano.

“Observamos gargalos estruturais que precisam de atenção imediata do poder público. Defendemos o conceito de ‘cidade inteligente’, onde o cidadão encontra trabalho, educação e lazer em sua própria região”, finaliza.

Isso porque, segundo ele, reduz o tempo de deslocamento, diminui o estresse urbano e potencializa a economia cuiabana.

O Noroeste

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