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Condenado por chacina em Sinop é isolado após esconder 13 celulares em compartimento oculto de cela I MT

Edgar Ricardo de Oliveira, condenado pela chacina que deixou sete mortos em um bar de Sinop, a 503 km de Cuiabá, foi encaminhado para isolamento na Penitenciária Central do Estado (PCE), conforme decisão do juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, assinada no dia 22 de abril. A medida foi adotada após a apreensão de 13 celulares dentro da cela do detento.

Edgar foi condenado há 136 anos em regime fechada. Ele está preso desde o dia 21 de fevereiro de 2023.

Conforme o procedimento administrativo, no dia 29 de agosto de 2025, agentes do Grupo de Intervenção Rápida foram até a cela do Raio 8 após informação de uso irregular de celular. Durante uma vistoria no local, os agentes identificaram um compartimento oculto na cama de concreto de Edgar. Dentro dele, foram encontrados 13 celulares, oito carregadores, fones de ouvido, cabos, fios de energia, um rolo de arame e uma carta com número de telefone.

Após a inspeção, o Ministério Público se manifestou pelo reconhecimento e homologação da falta grave, por entender que ficaram comprovadas a materialidade e a autoria da infração disciplinar. Já a defesa alegou irregularidades na apreensão do material, ausência de elementos concretos que justifiquem a aplicação do regime disciplinar diferenciado e insuficiência de provas individualizadas que sustentem uma medida mais severa.

No entanto, segundo o entendimento do juiz, o caso ultrapassa a simples apreensão isolada de objeto proibido.

“Não se cuida, aqui, de encontro fortuito de um único aparelho celular ou de utensílio de reduzido potencial ofensivo, o que já seria grave. Ao contrário, se verificou foi a apreensão, em compartimento oculto, de verdadeiro acervo de objetos ilícitos […] circunstância que evidencia organização, permanência da ocultação e inequívoca aptidão lesiva à disciplina e à segurança do estabelecimento prisional “, escreveu Neto.

Segundo ele, a forma de ocultação dos itens, que exigiu intervenção para acesso à estrutura de concreto, indica que não se tratava de posse ocasional, mas de guarda clandestina estruturada.

O juiz destacou ainda que a quantidade e a variedade dos materiais apreendidos são incompatíveis com a rotina carcerária e configuram grave violação dos deveres de disciplina e das regras da execução penal.

“A apreensão de numeroso conjunto de aparelhos celulares e acessórios em cela situada em raio de segurança máxima expõe risco concreto e elevado à ordem interna da unidade, porquanto tais equipamentos viabilizam comunicação ilícita com o meio externo, articulação indevida a partir do cárcere , burla aos mecanismos de controle estatal e potencial comprometimento da segurança penitenciária”, escreveu.

Entre as medidas determinadas estão o recolhimento em cela individual; visitas quinzenais, com até duas pessoas por vez, em ambiente preparado para impedir contato físico e a passagem de objetos, realizadas por familiares ou, no caso de terceiros, mediante autorização judicial, com duração de até duas horas.

Imagem o mostra dupla matando seis pessoas em bar em MT

Relembre a chacina

Edgar Ricardo de Oliveira, 30 anos, e seu cúmplice Ezequias Souza Ribeiro, de 27 anos, foram autores da chacina que vitimou sete pessoas, entre elas uma adolescente de 12 anos, em Sinop, a cerca de 500 km de Cuiabá, no dia 21 de fevereiro de 2023. Ezequias foi morto em um confronto com a polícia um dia após a chacina. Edgar, se entregou dois dias depois, após saber da morte do cúmplice.

O crime aconteceu depois que a dupla, perdeu algumas partidas de sinuca a dinheiro. A caminhonete e a espingarda usada pelos autores foram apreendidas em um terreno no bairro Vila Verde. Conforme as investigações, o imóvel tem ligação com um dos suspeitos.

Motivação do crime

 

Segundo o delegado, Edgar participou de um jogo de sinuca contra uma das vítimas e perdeu cerca de R$ 4 mil pela manhã. No período da tarde, ele voltou na companhia de Ezequiel e desafiou o homem, novamente. Eles jogaram mais algumas partidas e também perderam.

Edgar ficou revoltado e, em seguida, deu um sinal para Ezequias, que rendeu todas as pessoas, enquanto o comparsa pegava uma espingarda no carro.

Ainda de acordo com o delegado do caso, o primeiro a disparar foi o Ezequias, que deu um tiro no Bruno, dono do bar, e depois um tiro pelas costas do Getúlio, que caiu, e recebeu tiros na cabeça. Enquanto isso, Edgar disparava de 12 nas outras vítimas que estavam no local.

O Noroeste

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