Imea e Senar mostram que agricultor tem, em média, 51 anos, formação universitária e propriedades conectadas à internet
O produtor rural de Mato Grosso tem, em média, 51 anos, formação universitária, administra uma propriedade de aproximadamente 1,2 mil hectares e atua em um dos setores mais tecnológicos da economia brasileira.
Ao mesmo tempo, convive diariamente com desafios que vão da escassez de mão de obra qualificada às dificuldades logísticas impostas pela distância dos portos, além das exigências ambientais e das oscilações do mercado internacional.
Esse é o retrato traçado pelo levantamento Mapeamento de Indicadores do Estado de Mato Grosso, realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT).
A pesquisa ouviu produtores em 415 propriedades rurais, distribuídas por 87 municípios, abrangendo uma área de 1,31 milhão de hectares cultivados com soja, milho e algodão.
Os pesquisadores entrevistaram proprietários e analisaram informações de 6.814 trabalhadores durante os meses de março e abril deste ano.
O levantamento possui grau de confiança de 95% e margem de erro de cinco pontos percentuais.

Segundo o superintendente do Senar-MT, Cleiton Gauer, a abrangência geográfica permitiu construir um panorama representativo da agricultura mato-grossense, contemplando pequenas, médias e grandes propriedades em todas as regiões produtoras do Estado.
A pesquisa revela que 89,9% dos produtores são homens e 10,1% mulheres.
A faixa etária predominante está entre 41 e 50 anos, embora tenham sido entrevistados agricultores com idades entre 22 e 82 anos.
O nível de escolaridade também chama a atenção.
Mais da metade dos produtores (51,3%) possui graduação universitária, enquanto apenas 0,5% declararam não ter escolaridade formal.
Outros 4,1% concluíram cursos de pós-graduação.
Segundo representantes do setor, esse processo reflete a sucessão familiar nas propriedades rurais, com novas gerações assumindo a gestão das fazendas cada vez mais qualificadas tecnicamente.
A tecnologia também faz parte da rotina no campo.
De acordo com o levantamento, 98,5% das propriedades possuem acesso à internet.
Entretanto, em quase dois terços delas (64,8%), o sinal ainda está restrito às sedes das fazendas, sem cobertura integral nas áreas produtivas.
Para o secretário municipal de Agricultura de Cuiabá, Vicente Falcão, ampliar a conectividade é uma das condições para atrair e manter trabalhadores nas propriedades.
“Hoje o funcionário não aceita permanecer em uma fazenda sem acesso à internet”, observou.
MÃO DE OBRA E DESAFIO – A pesquisa confirma que a qualificação profissional permanece entre as principais preocupações dos produtores.
Mais de 81% afirmaram investir na capacitação de seus funcionários e 71,1% utilizam cursos oferecidos pelo Senar para esse treinamento.
Além do Senar, fabricantes de máquinas agrícolas, o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), escolas técnicas e algumas prefeituras também participam da formação de profissionais para o setor.
Segundo o diretor de Relações Institucionais da Famato, Ronaldo Vinhas, é necessário ampliar o conhecimento da população sobre as oportunidades de carreira no agronegócio, especialmente diante da crescente demanda por operadores de máquinas, técnicos e profissionais especializados.
EMPREGOS FORMAIS PREDOMINAM – O levantamento também aponta elevado índice de formalização das relações de trabalho.
Dos 6.814 trabalhadores analisados, 96,1% possuem vínculo empregatício regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Além dos salários, boa parte dos funcionários recebe benefícios como moradia ou alojamento, alimentação, energia elétrica e água sem custo, além de bonificações por desempenho e produtividade.
A pesquisa mostra ainda que a geração de empregos cresce conforme aumenta o tamanho da propriedade.
Fazendas com até 100 hectares empregam, em média, dois trabalhadores permanentes, enquanto propriedades acima de 12,5 mil hectares mantêm aproximadamente 151 funcionários.
PRESSÕES VÃO ALÉM DO CLIMA – Embora Mato Grosso seja líder nacional na produção de soja, milho e algodão, os produtores convivem com desafios que extrapolam a atividade agrícola.
As condições climáticas, o custo do transporte até os portos, as exigências ambientais, as oscilações do mercado internacional e os conflitos geopolíticos influenciam diretamente a rentabilidade da atividade.
O chamado Índice de Continentalidade — que mede a distância entre as áreas produtoras e os portos de exportação — continua sendo um dos principais fatores que reduzem a competitividade do agronegócio mato-grossense em relação a países concorrentes.
Ainda assim, o avanço tecnológico, o aumento da produtividade e a expansão da agroindústria têm impulsionado novos investimentos em processamento de soja, produção de etanol de milho, proteína animal e indústria têxtil, fortalecendo o papel do Estado como principal polo do agronegócio brasileiro”, disse.
O perfil do produtor de Mato Grosso
Idade média – 51 anos
Sexo
• Homens: 89,9%
• • Mulheres: 10,1%
• Escolaridade
• 51,3% possuem graduação
• • 4,1% têm pós-graduação
• • 0,5% não possuem escolaridade
• Área média da propriedade – 1.200 hectares
Conectividade
98,5% possuem internet
Funcionários registrados – 96,1% com carteira assinada
Produtores que capacitam equipes – 81,2%
Quem utiliza cursos do Senar – 71,1%


