A transformação digital está redesenhando o DNA das agências de publicidade no Brasil. Essa é a principal conclusão do estudo “Por Dentro das Agências – Uma Jornada de Transformação”, conduzido a pedido do Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema Publicitário (ABAP), que ouviu lideranças do setor e consolidou dados financeiros de 23 das maiores agências do país. O resultado é um diagnóstico detalhado de um setor que vem se reinventando em ritmo acelerado — mas enfrenta desafios crescentes para garantir sua sustentabilidade.
De acordo com a publicitária Fábia Julias, conselheira da ABAP e membro do Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário (Cenp), a digitalização trouxe avanços importantes à rotina das agências, porém também trouxe efeitos colaterais.
“Ela impulsionou a eficiência na gestão e abriu um leque de oportunidades com novos serviços como marketing digital, SEO (Search Engine Optimization), SEM (Search Engine Marketing), Marketing de Conteúdo, Gestão de Redes Sociais e Gestão de Influenciadores, gestão de conteúdo e de influenciadores. E ao mesmo tempo, também enfrentamos a gestão de múltiplas plataformas, a complexidade das métricas, a pressão por metas e a necessidade de profissionais mais qualificados geraram um novo patamar de exigência”, comentou.
Esse novo cenário elevou de forma significativa os custos com pessoal. Segundo o estudo, a participação desses gastos em relação à receita das agências saltou de 36,1% em 2010 para 45,9% em 2023. “O modelo de remuneração precisa ser revisto, pois a qualificação de profissionais deve ser tratada como investimento estratégico, e não diluída como custo operacional”, afirma Fábia.
Outro ponto crítico é a rentabilidade. A pesquisa aponta que o resultado líquido das agências caiu de 14,6% para 5,66% em pouco mais de uma década, evidenciando um descompasso entre investimento e retorno. “O estudo convida à reflexão sobre a sustentabilidade do modelo atual”, comenta Fábia. “As agências têm sido proativas, inovando e expandindo seus serviços, mas esses esforços não têm se refletido de maneira proporcional nas receitas.”
A mudança também exige uma nova geração de profissionais. “Hoje, o perfil ideal combina domínio técnico, como gestão de dados, analytics e tecnologia, com visão estratégica, criatividade e profundo conhecimento do consumidor”, destaca Fábia. Ela define esse profissional como um “híbrido” necessário para atender à complexidade das demandas atuais.
Quanto ao modelo de atuação, a ABAP acredita na convivência de dois formatos: o full service e as agências especializadas. “Enquanto o primeiro oferece integração e consistência da marca, o segundo permite respostas ágeis e conhecimento aprofundado em nichos específicos. Há espaço para ambos os modelos”, completa Fábia.
Para que o setor possa evoluir de forma sustentável, a ABAP defende mudanças regulatórias. Marcia Esteves, publicitária e Presidente Nacional da ABAP, afirma que a comunicação deve ser tratada como setor estratégico da economia criativa.
“Precisamos de incentivos à inovação, à exportação de serviços e à desburocratização. Também é essencial discutir a regulamentação do trabalho digital e modelos tributários adequados”, afirma.
Frente aos desafios revelados pelo estudo, a ABAP já traça caminhos. “Estamos promovendo debates sobre remuneração, valorização do talento e ambiente regulatório. Também apoiamos iniciativas de capacitação e parcerias com universidades. Nessa transição digital, nosso papel é ser ponte, não obstáculo”, conclui Márcia.
Para o presidente da ABAP em Mato Grosso, Alvaro de Carvalho, a transformação digital impõe desafios, mas também destaca a força criativa do setor. Ele lembra que o estado é o que mais cresceu nas últimas décadas, e mesmo com uma economia baseada majoritariamente em commodities, a comunicação foi essencial para essa evolução.
“Nenhum mercado prospera sem se comunicar com inteligência, criatividade e eficiência. Em Mato Grosso, assistimos à formação de um mercado publicitário altamente profissional e eficaz ao longo dos anos”, afirma.
Segundo Álvaro, a entrada da inteligência artificial representa mais uma revolução e a publicidade, historicamente, tem se mostrado um dos setores mais ágeis em absorver e aplicar novas tecnologias. No entanto, faz um alerta sobre a importância do trabalho intelectual que, por enquanto, somente um ser humano pode fazer.
“Não se enganem: a grande ideia ainda é o diferencial. A necessidade de emocionar e influenciar pessoas jamais será dispensável. A publicidade intelectual, humana, sensível e disruptiva ainda tem um valor imensurável.”
Testemunhas disseram que a vítima estava trabalhando em uma aldeia indígena do outro lado do…
O funcionário da Concessionária Nova Rota do Oeste, José Carlos Inácio, 51, morreu em acidente…
Evendo faz parte do Programa Solo Seguro Favela, que mobiliza ações de regularização fundiária no…
Região da fronteira com a Bolívia está recebendo pacote de obras estruturantes A Região Oeste…
Assessoria - Neste sábado, dia 30 de maio, os colecionadores do álbum da Copa do…
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, fiscalizou nesta…