Categories: Featured

STJ mantém condenação de juíza por usar servidores da Justiça de MT como babá e motorista particular

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o pedido da defesa e manteve a condenação da juíza Sonja Farias Borges de Sá a três anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto. Ela foi condenada em 2019 por nomear dois servidores no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) que, em vez de exercerem funções no órgão, trabalhavam como babá e motorista particular para ela.

Conforme o processo, Sonja nomeou os servidores entre abril e maio de 2005. À época, ela estava afastada das funções e morava em Curitiba (PR) para tratamento psiquiátrico.

O advogado da juíza, Francisco Monteiro Rocha Jr., informou que a decisão não é definitiva e que pretende recorrer.

Segundo o advogado, a 6ª Turma do STJ ainda deve analisar embargos de declaração sobre o caso. Além disso, a seção criminal do tribunal poderá julgar embargos de divergência que também serão apresentados. Caso não tenham sucesso, o Supremo Tribunal Federal (STF) será acionado pela defesa.

O que servidores faziam

Depoimentos colhidos durante a investigação revelam que servidores nomeados no gabinete da então juíza atuavam, na prática, como empregados domésticos da magistrada em Curitiba (PR), a mais de dois mil quilômetros de distância do local de lotação.

As atividades incluíam:

  • Cuidar do filho da juíza
  • Limpar a grama do quintal
  • Cuidar do cachorro
  • Fazer compras para a casa
  • Pagar contas domésticas
  • Executar tarefas de limpeza e manutenção da residência
  • Trabalhos gerais de apoio doméstico

De acordo com um dos servidores, o salário de R$ 1,6 mil mensais era pago pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

A condenação

 

Durante o processo, a juíza alegou que, no entendimento dela, os cargos eram uma “benesse” concedida pelo tribunal e que as pessoas nomeadas trabalhavam para o juiz e não para o fórum.

Em depoimento, a funcionária contratada como secretária contou que trabalhou na casa da juíza por quase um ano de segunda a sexta-feira em período integral e, que na maior parte do tempo, desempenhava a função de babá do filho da juíza, que tinha sete anos na época.

O outro servidor, contratado como agente de segurança, contou que trabalhava como motorista da família e, no período de ociosidade, executava outros serviços, como ir ao mercado.

Na decisão, Sonja foi condenada a devolver aos cofres públicos os salários pagos no período em que os servidores foram contratados e pagamento de multa civil correspondente a duas vezes o valor do dano causado.

O Noroeste

Recent Posts

Entre altas e baixas, cesta básica volta a registrar queda na terceira semana de julho – O Mato Grosso

Após oscilar nas primeiras semanas de julho, o preço da cesta básica em Cuiabá voltou…

1 hora ago

Fiemt aponta que tarifas dos EUA devem ter impacto limitado sobre exportações de Mato Grosso

A aplicação de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras deve ter…

3 horas ago

Várzea Grande (MT) decreta calamidade financeira e no DAE após Justiça bloquear R$ 19 milhões

Medidas suspendem novas despesas, eventos e contratos não essenciais. Secretarias terão cinco dias para apresentar…

3 horas ago

Virginia Mendes defende prisão perpétua para condenados por pedofilia: “Lugar de pedófilo é na cadeia”

A ex-primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, manifestou indignação diante da prisão de um empresário…

3 horas ago

Homem é indiciado pela Polícia Civil por enviar imagens íntimas de mulher ao atual marido dela

A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu, nesta quinta-feira (16), um inquérito policial e indiciou…

3 horas ago

Bebê é resgatada em área de mata após denúncia de maus-tratos; mãe adolescente é apreendida em MT

Ocorrência começou após o pai da bebê denunciar que a adolescente estaria tentando sufocar a…

3 horas ago