Uma em cada três mulheres com menos de 50 anos já recebeu o diagnóstico de câncer de mama no Brasil, segundo dados do Painel Oncologia Brasil analisados pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). A estimativa é que até o fim de 2025 mais de 108 mil mulheres sejam afetadas.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 73.610 novos casos por ano no país entre 2023 e 2025, o que significa que, a cada 100 mil brasileiras, 66 desenvolverão a doença. Em Mato Grosso, a estimativa até 2025 aponta mais de 8 mil novos diagnósticos anuais de câncer em geral, sendo que o de mama representa 55,4% deste total.
Atenta a esse cenário, a Unimed Cuiabá oferece às beneficiárias assistência integral, desde consultas e exames até acompanhamento especializado no diagnóstico e tratamento.
A mastologista da cooperativa, Tabata Machado, destaca que os avanços científicos têm tornado o tratamento cada vez mais eficaz e menos agressivo.
“As terapias-alvo, por exemplo, atacam diretamente as células cancerígenas, bloqueando processos específicos de crescimento tumoral e preservando células saudáveis. Já a imunoterapia fortalece o sistema imunológico da paciente, com destaque para os inibidores de checkpoint imunológico, que tornam a resposta contra o tumor mais eficaz”, disse ela.
Outro recurso destacado pela médica é a biópsia líquida, exame capaz de identificar fragmentos de DNA tumoral a partir de uma simples amostra de sangue, favorecendo diagnósticos precoces e reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos. Porém, ainda está em fase de testes.
O CBR reforça a necessidade de ampliar o rastreamento da doença, incluindo mulheres abaixo de 50 e acima de 70 anos. Conforme dados do Ministério da Saúde, quando identificado nos estágios iniciais, o câncer de mama pode ter até 95% de chance de cura.
A especialista ressaltou que, embora a doença seja mais comum após os 50 anos, cresce a incidência entre mulheres jovens. “Um estudo recente revelou que mais de 40% dos casos no Brasil ocorrem em mulheres com menos de 50 anos. Nessa faixa etária, o tumor costuma ser mais agressivo e muitas vezes diagnosticado em estágios avançados”, reforça a médica.
Recentemente, o Ministério da Saúde ampliou o acesso à mamografia pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas ou histórico familiar. A faixa etária do rastreamento também foi estendida de 69 para 74 anos.
Fatores de risco e proteção
A idade da primeira gestação, a amamentação e o uso de hormônios estão entre os fatores que influenciam no risco da doença.
• Gestação tardia ou ausência de filhos aumentam a exposição hormonal.
• Amamentação prolongada é considerada fator protetor, já que promove renovação celular na mama e reduz a ação de hormônios como o estrogênio.
• Manter hábitos saudáveis estão entre os fatores protetores contra o câncer, tais como praticar atividade física regular, mínimo três vezes na semana, alimentação regular rica em frutas e verduras. Evitar alimentos processados.
“Gestar após os 30 anos ou não ter filhos, são considerados fatores que aumentam o risco de câncer de mama, em parte porque a mulher fica exposta a níveis mais altos de hormônios como o estrogênio, sem a pausa da gestação. Outro fator é a amamentação que é um fator protetor. Durante o aleitamento, ocorre uma renovação celular na mama e há alterações hormonais que ajudam a diminuir o risco de câncer de mama. Quanto maior o tempo total de amamentação ao longo da vida, maior o benefício protetor”, destacou.
Outro ponto em discussão é o risco em pessoas transgênero.
• Mulheres trans que fazem uso de estrogênio têm risco aumentado em relação a homens cis, embora menor do que o observado em mulheres cis.
• Homens trans que passam por mastectomia reduzem significativamente o risco, mas ainda necessitam de acompanhamento médico.
“As mulheres trans geralmente fazem uso de estrogênio que é um hormônio que pode estimular o crescimento de células mamárias e, portanto, aumentar o risco de câncer de mama. O risco aumenta com a duração do uso do hormônio. Para homens trans é menor, mas não é zero. A testosterona pode ser convertida em estrogênio, o que gera um risco residual”, explicou.
Mobilização no Outubro Rosa
A mastologista ressaltou que campanhas como o Outubro Rosa são fundamentais para salvar vidas, com três eixos principais:
• Conscientização e Educação: difusão de informações sobre sinais, sintomas e prevenção.
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