O mercado de ovos no Brasil vive um momento de forte valorização, com preços atingindo patamares recordes em fevereiro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O movimento contrasta com o cenário de 2024, quando o setor enfrentou meses seguidos de queda nas cotações.
De acordo com o Cepea, os ovos brancos do tipo extra comercializados em Bastos (SP) principal polo produtor do país registraram média de R$ 198,40 por caixa com 30 dúzias até o dia 20 de fevereiro. O valor representa uma alta de 39,4% em relação a janeiro e de 10,7% frente ao mesmo período de 2024, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de janeiro). Já os ovos vermelhos atingiram média de R$ 227,24 por caixa, com elevação de 37,4% no mês e 8,2% no ano.
Em Santa Maria de Jetibá (ES), outro importante polo produtor, o preço médio diário da caixa de ovos brancos chegou a R$ 236,21 no dia 20 — recorde real da série histórica do Cepea. No caso dos ovos vermelhos, o preço atingiu R$ 276,54 por caixa, também o maior valor já registrado.
Menor oferta e volta da demanda explicam o salto nos preços
A alta acentuada é explicada por dois fatores principais: redução da oferta e aumento gradual da demanda.
Segundo o Cepea, a diminuição da disponibilidade de ovos no mercado interno começou na segunda quinzena de janeiro, em decorrência do descarte de poedeiras mais velhas e do ritmo mais lento de reposição de plantéis. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica começou a se recuperar com o retorno das aulas escolares e o aumento do consumo familiar, impulsionando as cotações ao longo de fevereiro.
Em 2024, a produção brasileira havia atingido volumes recordes, conforme dados do IBGE, o que levou a seis meses consecutivos de queda nos preços — de abril a setembro. Esse cenário de excesso de oferta, somado à demanda reduzida durante as férias escolares e à menor renda das famílias no fim do ano, resultou em estoques elevados e rentabilidade comprometida para os produtores.
Agora, com menor produção e estoques ajustados, o setor conseguiu repassar aumentos de custo como milho, farelo de soja e embalagens para o preço final.
Contexto internacional e exportações
Nos Estados Unidos, a alta dos preços dos ovos decorre de um cenário distinto: surtos de gripe aviária reduziram significativamente a oferta, elevando os valores no mercado local.
O Brasil, por sua vez, registrou crescimento de 62% nas exportações de ovos para os EUA entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, o que fez o país subir da sexta para a terceira posição entre os principais destinos da produção brasileira.
Entretanto, o Cepea destaca que a exportação ainda representa menos de 1% da produção total nacional, e, portanto, não exerce impacto relevante nos preços internos.
“Para que as exportações influenciem de fato o mercado interno, seria necessário que os Estados Unidos se consolidassem como comprador constante, estimulando o aumento da produção no Brasil”, observam os pesquisadores do Cepea.
Tendência para os próximos meses
O Cepea lembra que o movimento de valorização observado neste início de 2025 é sazonal, ocorrendo historicamente no período que antecede a Quaresma, quando o consumo de ovos aumenta em razão das restrições ao consumo de carne.
A expectativa, segundo analistas, é de que os preços se mantenham firmes até meados de março, podendo recuar gradualmente a partir do segundo trimestre, caso a produção volte a crescer e a oferta se normalize.
*Sob supervisão de Daniel Costa