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Indígenas enterram onça-pintada atropelada em rodovia de MT: ‘animal sagrado’

Um grupo de xavantes enterrou na tarde de domingo (4) o corpo de uma onça-pintada que havia sido atropelada no sábado (3) na BR-070, em Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá. O animal é considerado sagrado para os indígenas e foi enterrado na floresta próximo da comunidade na Terra Indígena Sangradouro-Volta Grande. A informação foi confirmada a imprensa pela liderança indígena Hiparidi Top’Tiro.

O vídeo do momento em que o corpo do felino é encontrado tomou conta das redes sociais na região (assista momento abaixo).

Nas imagens, um dos motoristas disse que os indígenas levariam o animal para ser comido e retirado a pele, o que Hiparidi nega.

VIDEO:

“A onça é sagrada para nosso povo. Nós a enterramos em um ritual fúnebre”, contou.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que abriu uma investigação sobre o caso. Procurados, a Polícia Militar e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) disseram que não foram acionadas.

“A causa da morte do animal e a eventual responsabilização estão em apuração”, disse o Ibama.

O instituto ressaltou que é crime ambiental transportar animais silvestres sem autorização, com ou sem vida. Essa conduta pode ser caracterizada como tráfico de animais, segundo o Ibama, citando a lei nº 9.605 de 1998 e o decreto nº 6.514 de 2008.

“No caso de animal ferido ou morto, deve-se, ainda, evitar contato ou proximidade com o espécime, por questões de segurança e de saúde pública”, afirmou o Ibama.

Nesses casos, a orientação do Ibama é que a população, ao avistar o animal, acione as autoridades ambientais.

🔥Dona do fogo

O líder xavante disse que os indígenas fizeram um ritual de aproximadamente duas horas e meia para enterrar a onça, com cantorias e celebrações aos antepassados, dizendo aos ancestrais que não havia sido eles os responsáveis pela morte do animal e pediram que não houvesse vingança.

Além disso, existe uma lenda que acompanha os xavantes chamada de “A dona do fogo”, em referência à onça-pintada. Na lenda, os olhos da onça refletem as chamas e foi graças a esse animal que os indígenas tiveram conhecimento do fogo na comunidade.

Essa lenda é passada de geração para geração e não se sabe ao certo quando essa história começou, segundo Hiparidi.

“Isso acontece sempre [animais atropelados na rodovia]. E nós fazemos o mesmo com as antas. Nós não caçamos as onças porque elas são sagradas para nosso povo”, afirmou.

Ele ainda defende a criação de um corredor ecológico e mais sinalização na rodovia para reduzir a velocidade naquele trecho por causa da grande presença de animais silvestres na área. “Estamos batalhando para isso”, disse.

O Noroeste

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