Em depoimento prestado nesta terça-feira (20), o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 68 anos, preso pelo atropelamento e morte da pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, negou ter atingido a idosa com o veículo e culpou a vítima pelo acidente.
Ao ser questionado pelo delegado, Paulo afirmou a idosa foi quem bateu no carro dele, ocasionando o acidente (assista abaixo).
“Ela bateu no meu carro pelo lado do motorista. Eu tava vindo sentido Cuiabá. Estava desde cedo com dor de cabeça, e me deu vontade vomitar. Abri a janela do carro e vomitei, e ai passou um vulto”, declarou o advogado durante o depoimento.
Mesmo com a negativa, o delegado Christian Cabral da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran) afirmou que as imagens que registraram o momento da batida deixam claro que o motorista poderia ter evitado a batida. Segundo ele, Paulo deve ser indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar).
“Apesar da vítima estar há menos de cinquenta centímetros de alcançar o canteiro central da via, concluindo sua travessia, e o motorista possuir amplo campo de visão e de manobra na via, inexistindo veículos à sua frente, quer nas faixas de circulação central e direita da via, nos instantes que antecederam o sinistro, ele não tentou frear seu veículo, nem desviá-lo da vítima”, afirmou.
Segundo a Guarda Municipal de Várzea Grande, o acidente ocorreu quando a vítima tentava atravessar a rua e foi atingida pela caminhonete de Paulo e arremessada para o outro lado da avenida. Em seguida, foi atropelada por um segundo veículo.
De acordo com a Polícia Civil, após o atropelamento, o advogado deixou o local sem prestar socorro, mas foi localizado e preso pouco tempo depois nas proximidades de um shopping do município.
Paulo Roberto já foi condenado por dois homicídios em processos distintos. Ele foi sentenciado pela morte de um delegado da Polícia Civil no Rio de Janeiro, crime ocorrido no fim da década de 1990, e também pelo assassinato de uma estudante de enfermagem.
Coelho, atingido com um disparo na nuca. Após o crime, ele fugiu do estado e passou a viver em Mato Grosso usando o nome falso Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Ele foi condenado, em 2006, a 13 anos de prisão.
Em outro caso, Paulo foi denunciado pelo Ministério Público por matar a estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, asfixiada em uma banheira de motel, em 2004, no município de Juscimeira, a 164 km de Cuiabá.
VIDEO 1:
O atropelamento ocorreu quando Ilmes tentava atravessar a Avenida da FEB a pé. Imagens do circuito de segurança da via registraram o momento em que a idosa atravessava a avenida quando foi atingida pela caminhonete conduzida por Paulo Roberto. Com o impacto, o corpo da vítima foi arremessado para o outro lado da via e acabou sendo atropelado novamente por outro carro.
Após o acidente, Paulo fugiu do local sem prestar socorro. Já o condutor do segundo veículo permaneceu no local, prestou esclarecimentos à polícia e foi liberado. Imagens de câmeras de segurança analisadas pela investigação mostram que a vítima estava a menos de 50 centímetros do canteiro central da avenida, praticamente concluindo a travessia, quando foi atingida.
O advogado deve responder por homicídio doloso por dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de provocar a morte, além do crime de fuga do local do acidente, conforme o informado pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran).
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