Duas meninas são resgatadas pela PRF em carro com três homens desconhecidos após saírem do garimpo Sararé em MT — Foto: PRF
Duas meninas, uma de quatro e outra de seis anos, foram resgatadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na quinta-feira (29) dentro de um carro com três homens desconhecidos após saírem do garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda (MT), que também alcança os municípios de Conquista D’Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade. Elas passam bem.
O território é um dos mais desmatados na Amazônia Legal por causa da exploração ilegal de ouro, que se intensificou nos últimos anos com a presença da facção criminosa Comando Vermelho.
A caminhonete em que elas estavam foi abordada pelos agentes no km 25, na BR-174, que dá acesso ao garimpo.
O agente Zibetti da PRF, que atuou na ocorrência, contou que o motorista foi contratado pela própria mãe das crianças para tirá-las do garimpo diante de uma suposta ameaça de ação da polícia no local.
“As crianças estavam no garimpo com a mãe. Já começa errado isso. Ela fica sabendo de uma suposta ação da polícia no garimpo e contratou um estranho, que está junto com outros estranhos, e deixou as crianças irem com eles”, afirmou.
O motorista disse que trabalha como freteiro, que faz frete do garimpo para a cidade, e confirmou que a mãe o contratou para levar as meninas.
Os agentes, de imediato, retiraram as crianças da caminhonete e acionaram o Conselho Tutelar.
Segundo a PRF, não houve nenhuma violência ou abuso. Um dos homens, contudo, tinha passagem criminal por violência doméstica pela Lei Maria da Penha.
Uma equipe do Conselho foi ao local e levou as menores até a cidade, onde localizaram a mãe, que saiu do garimpo depois.
Duas meninas são resgatadas pela PRF em carro com três homens desconhecidos após saírem do garimpo Sararé em MT — Foto: PRF
As forças de segurança atuam de forma integrada e permanente no garimpo ilegal Sararé. O objetivo é expulsar todos os garimpeiros e resgatar a tranquilidade da terra aos indígenas. Com isso, a operação não tem prazo para ser encerrada.
Em outubro do ano passado, membros da facção criminosa que controlam o local ainda estariam escondidos no interior da terra indígena fortemente armados e chegaram a trocar tiros com agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Parte desse grupo é investigado, também, pela destruição provocada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
A operação é coordenada pelo Ibama em parceria com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional, Gefron, Polícia Civil e Polícia Militar de Mato Grosso e Goiás.
Dos 67 mil hectares da Sararé, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro.
Os agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas que atuam dentro do território indígena, o que gera conflitos armados.
Em quase dois meses de operação já foram destruídas na área mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e estruturas diversas para suporte logístico das atividades ilegais.
Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé.
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