A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) está expandindo o uso de tecnologia genética entre agricultores familiares de Mato Grosso por meio de projetos de melhoramento genético voltados à pecuária leiteira. A iniciativa envolve as modalidades de sêmen bovino, transferência de embriões e distribuição de novilhas prenhes, com o objetivo de democratizar o acesso à genética superior, aumentar a produtividade do rebanho e ampliar a geração de renda no meio rural.
Nesta etapa do programa, 17 municípios manifestaram interesse em participar do Projeto de Transferência de Embriões e já estão recebendo orientações técnicas da equipe da Seaf. As prefeituras encaminharam os projetos, assinaram termos de cooperação e doação e organizaram as contrapartidas exigidas, o que permite o início das atividades ainda no mês de fevereiro.
Os municípios participantes são São José dos Quatro Marcos, Figueirópolis, Jauru, Vale do São Domingos, Pontes e Lacerda, Conquista d’Oeste, Nova Lacerda, Comodoro, Brasnorte, Castanheira, Juruena, Alta Floresta, Nova Canaã do Norte, Colíder, Terra Nova do Norte, Marcelândia e Chapada dos Guimarães. O investimento previsto exclusivamente para aquisição de embriões soma R$ 4,1 milhões.
De acordo com o assessor técnico da Seaf, Jurandyr José Pinto, responsável pelas visitas técnicas aos municípios, o retorno das reuniões tem sido positivo. “Os municípios estão animados com essa nova oportunidade de melhoramento genético via embriões. Nas visitas às propriedades que foram contempladas anteriormente, vimos o impacto do melhoramento genético com o aumento na produção de leite”, contou Jurandyr.
Na Baixada Cuiabana, o prefeito de Chapada dos Guimarães, Osmar Fronner, destacou a importância do apoio institucional ao programa. “Vamos apoiar novamente o programa, com o objetivo de alcançar 60 embriões positivos, o que significa mais leite e renda para a agricultura familiar. Dos 13 municípios da Baixada Cuiabana, o nosso foi o único a aderir, e recomendo aos demais gestores. Uma bezerra com genética superior pode produzir até 25 litros de leite, enquanto, sem genética, não chega a cinco”, destacou.
Os resultados práticos já começam a ser observados nas propriedades atendidas. Wagner Candido da Silva, produtor do Sítio Dois Irmãos, na comunidade João Carro, em Chapada dos Guimarães, participou do programa em 2025 e relatou os impactos da iniciativa.
“Foram implantados nove embriões e tivemos sucesso em oito, inclusive com o nascimento de duas novilhas gêmeas. Todas nasceram saudáveis. Jamais um pequeno produtor conseguiria investir em melhoramento com uma genética tão alta e produtiva”, afirmou.
Para a extensionista da Empaer, Fabíola Fernandes, os ganhos vão além da produção. “Em 2025, tivemos o nascimento de 35 bezerras de genética superior. É gratificante ver como esses projetos transformam a vida do produtor, levando genética importada para pequenas propriedades”, salientou.
O médico-veterinário Lucas Barcelos reforçou que o sucesso do programa está diretamente ligado ao engajamento dos produtores e ao acompanhamento técnico. “O melhoramento genético cabe em qualquer propriedade. O principal fator é a vontade do produtor e o acompanhamento técnico. Com a genética fornecida pela Seaf e a assistência da Empaer, o pequeno produtor ganha tempo para se adequar e alcançar uma produção mais rentável”, avaliou.
Além da transferência de embriões, a Seaf também investiu em inseminação artificial. Somente em 2025, foram repassadas aos municípios 2.690 doses de sêmen convencional, com investimento de R$ 16,7 mil, e 5.585 doses de sêmen sexado, totalizando R$ 485,7 mil. Ao todo, foram distribuídas 8.275 doses, com investimento global de R$ 502,4 mil.
Entre 2020 e 2025, os investimentos em prenhez e sêmen somaram R$ 10,5 milhões.
O programa de melhoramento genético
O acesso aos projetos ocorre de forma coletiva. Produtores rurais não podem solicitar individualmente os benefícios, sendo obrigatória a participação por meio de prefeituras, associações ou cooperativas, conforme a modalidade. Os projetos são elaborados com a participação da Empaer e passam por análise técnica da Seaf.
No projeto de sêmen, as entidades informam raça, quantidade e tipo de sêmen desejado, cabendo como contrapartida a realização da inseminação e a manutenção da estrutura técnica necessária.
Já o projeto de transferência de embriões é executado de forma regionalizada, com divisão do Estado em quatro lotes, cada um com número definido de prenhezes para atender os municípios interessados.
O projeto de novilhas prenhes é exclusivo para associações ou cooperativas, por meio de chamamento público, e exige contrapartida integral, na qual a entidade beneficiada recebe uma novilha e adquire outra. A Seaf destaca que todos os projetos seguem critérios técnicos, garantindo transparência, equidade e eficiência no uso dos recursos públicos.