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Cirurgiã-dentista alerta: bactéria da gengiva pode afetar o coração

A relação entre saúde bucal e doenças cardíacas ainda é subestimada por grande parte da população. No entanto, infecções que começam na gengiva podem, em casos específicos, evoluir para quadros graves como a Endocardite infecciosa, uma inflamação do revestimento interno do coração que geralmente atinge as válvulas cardíacas.

O diagnóstico é feito pelo cardiologista, mas a prevenção passa, necessariamente, pelo consultório odontológico. É o que alerta a cirurgiã-dentista Erlice Vuaden, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com 32 anos de atuação. Especialista em Harmonização Orofacial pela EAPE, em Dentística pela Universidade de Cuiabá (UNIC) e com MBA em Auditoria de Serviços de Saúde pela Universidade Castelo Branco, ela reforça que a boca deve ser vista como porta de entrada para a saúde geral.

Segundo a especialista, bactérias responsáveis por quadros de gengivite e periodontite podem alcançar a corrente sanguínea, especialmente quando há sangramento gengival frequente ou infecções não tratadas. Em pessoas com determinadas condições cardíacas, esses microrganismos podem se alojar nas válvulas do coração e desencadear a endocardite.

“Muitas pessoas procuram o cardiologista, mas negligenciam o dentista. Às vezes, o próprio cardiologista encaminha o paciente para tratar focos de infecção na boca, porque é preciso eliminar essas bactérias para evitar complicações”, explica.

Embora existam relatos que associem extrações dentárias a complicações cardíacas, o problema geralmente não está no procedimento em si, mas na presença prévia de infecção ativa e em fatores de risco individuais. Pacientes com doenças cardíacas específicas, próteses valvares ou histórico de endocardite podem precisar de avaliação e, em alguns casos, antibiótico preventivo antes de procedimentos odontológicos — decisão que deve ser tomada pelo cardiologista.

A negligência com cuidados básicos ainda é um dos maiores problemas observados nos consultórios. Escovação inadequada, ausência do uso diário do fio dental e falta de consultas regulares favorecem o avanço da gengivite para a periodontite, condição mais profunda e agressiva que pode evoluir rapidamente.

“Sangramento e dor não fazem parte da normalidade. Se há sangramento na gengiva, é sinal de inflamação e precisa ser tratado. Feridas na boca que não cicatrizam também devem ser avaliadas”, alerta.

A recomendação geral é que a consulta odontológica ocorra ao menos uma vez por ano, mesmo na ausência de sintomas. Pacientes com periodontite avançada podem precisar de acompanhamento trimestral, enquanto usuários de protocolo de implantes costumam ser avaliados a cada seis meses. A frequência varia conforme o quadro clínico individual.

Apesar de a endocardite infecciosa não ser comum na população geral, trata-se de uma condição grave, que exige internação e tratamento prolongado com antibióticos intravenosos. A melhor estratégia continua sendo a prevenção.

Mais do que uma questão estética, manter a saúde bucal em dia é parte essencial do cuidado com o organismo como um todo. “Não adianta pensar apenas em harmonização ou estética se a base não estiver saudável. A boca é a entrada de tudo”, conclui a dentista.

O Noroeste

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