Categories: Featured

CNJ determina que Justiça de MT divulgue dados sobre horas extras e diárias pagas a comissionados

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) forneça informações detalhadas sobre o pagamento de horas extras e diárias a ocupantes de cargos comissionados e funções de confiança desde janeiro de 2023. A decisão foi tomada em julgamento virtual encerrado nesta sexta-feira (20), no âmbito de um Procedimento de Controle Administrativo (PCA), e foi parcialmente acompanhada pelo conselheiro Ulisses Rabaneda.

A ação foi apresentada pelo Sindicato dos Servidores do Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a negativa do tribunal em disponibilizar documentos comprobatórios dos pagamentos, como atos de autorização, convocações para serviço extraordinário e registros de ponto.

Relator do caso, o conselheiro Guilherme Feliciano afirmou que a recusa do TJMT “representa clara afronta a pilares do Estado Democrático de Direito”. Segundo ele, além de serem fornecidos mediante solicitação, os dados deveriam estar publicados de forma clara e acessível no Portal da Transparência, conforme determinam atos normativos do CNJ.

O conselheiro Ulisses Rabaneda acompanhou o relator quanto à obrigatoriedade de entrega dos documentos. No entendimento consolidado pelo colegiado, valores pagos a servidores com recursos públicos são informações de interesse coletivo e, como regra, não podem ser mantidos sob sigilo.

Divergência sobre abertura de processos

O principal ponto de divergência no julgamento envolveu a proposta do relator para que o TJMT instaurasse, no prazo de 60 dias úteis, processos administrativos individualizados contra todos os servidores apontados em auditoria interna como beneficiários de pagamentos considerados irregulares.

De acordo com o voto divergente, o próprio TJMT instaurou auditoria especial, criou comissões de apuração, suspendeu pagamentos, revisou normas internas e implementou ações corretivas e preventivas. Assim, não haveria omissão ou inércia que justificasse intervenção direta do CNJ neste momento.

Irregularidades apontadas

Relatório de auditoria citado no processo apontou falhas no controle do banco de horas. Entre 2023 e 2024, 79,57% das anotações na 2ª Instância e 87,89% na 1ª Instância não tinham registro de ponto ou qualquer processo administrativo que as justificasse.

Também foram identificados registros de horas durante o recesso forense acima do limite de cinco horas diárias, além de lançamentos em sábados, domingos e feriados sem comprovação formal da necessidade excepcional do serviço.

O Noroeste

Recent Posts

Missa, escultura e show marcam evento pelos 35 anos da visita do papa a Cuiabá; saiba mais

Celebração será nesta sexta-feira (16), no Sesi Papa, com entrada gratuita e expectativa de reunir…

19 minutos ago

Menina de 10 anos morre após arma cair e disparar dentro de casa em MT

Criança estava com o irmão em um quarto onde havia uma arma carregada, segundo o…

32 minutos ago

Gallo vê rumores sobre vaga no TCE como “descortesia” com Waldir Teis e nega articulações

O ex-secretário de Estado de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo, criticou publicamente as recentes…

43 minutos ago

Governo de MT atinge 71% de execução nas metas prioritárias do primeiro semestre de 2026

O Governo de Mato Grosso registrou desempenho médio de 71% no cumprimento das metas físicas…

44 minutos ago

Comissão recebe secretária nomeada para o Bem-Estar Animal

A Comissão dos Direitos dos Animais (CDA) da Câmara Municipal de Cuiabá realizou, nesta quarta-feira…

3 horas ago

Eduardo Magalhães defende implantação de ecopontos para combater descarte irregular em Cuiabá

O vereador Eduardo Magalhães (Republicanos) defende a implantação efetiva de ecopontos em Cuiabá como alternativa…

3 horas ago