Advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos — Foto: Divulgação
Quatro acusados de envolvimento no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), vão a júri popular. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (6) pelo juiz João Bosco Soares da Silva.
Os réus Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira, Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi foram pronunciados conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Eles vão responder por homicídio qualificado por motivo torpe ou mediante pagamento, uso de meio que gerou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A Justiça também manteve o agravante pelo fato de Renato ter 72 anos na época do crime, além da acusação de participação em organização criminosa. Na decisão, o juiz acolheu a tese do Ministério Público de que o assassinato foi planejado e executado de forma organizada, com divisão de tarefas entre mandantes, intermediários e executores.
O magistrado destacou ainda que há provas da materialidade do crime, como laudos periciais, boletins de ocorrência, imagens e depoimentos colhidos durante a investigação. Segundo ele, também existem indícios suficientes de autoria contra os acusados, requisito necessário para levar o caso ao Tribunal do Júri.
Com a decisão, o processo segue para julgamento pelo Tribunal do Júri. A data da sessão ainda não foi definida.
Quem são e como agiram os investigados
De acordo com o inquérito, o crime teria sido encomendado por Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, motivados por uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terra em Novo São Joaquim. A investigação aponta que os dois teriam pago R$ 200 mil pela execução do homicídio.
Ainda conforme o Ministério Público, os policiais Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira atuaram como intermediários, sendo responsáveis pela articulação com os executores, fornecimento da arma e intermediação dos pagamentos. Os dois também vão responder por fraude processual qualificada e abuso de autoridade, por suposta tentativa de atrapalhar as investigações.
Entenda a atuação de cada um:
Assassinato de Renato Nery
Renato Gomes Nery foi baleado em julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o atirador já aguardava o advogado no local e fugiu em uma motocicleta após os disparos.
Uma câmera de segurança registrou o momento em que Renato caminha até a entrada do escritório, é atingido pelos tiros e cai no chão (veja vídeo acima). O advogado morreu um dia após o ataque. O corpo dele foi sepultado em Cuiabá, na manhã de 7 de julho de 2024.
Em março deste ano, a Polícia Civil rastreou R$ 215 mil supostamente ligados ao pagamento pelo assassinato, após quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça. Segundo as investigações, a empresária Julinere Goulart Bastos, apontada como uma das mandantes do crime, fez uma transferência de R$ 200 mil em 4 de março de 2024.
De acordo com a polícia, o dinheiro passou por contas de terceiros em uma sequência de movimentações financeiras usada para ocultar a origem e o destino final dos valores.
Diante das evidências reunidas, o rastreamento do fluxo financeiro e os depoimentos colhidos, a Polícia Civil concluiu que o caso se trata de crime de mando, caracterizado pelo pagamento para a prática de homicídio qualificado.
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