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Mecânico de 230 kg é internado após 20 dias acamado em oficina sem atendimento

mecânico Renato Jesus Pinto, de 55 anos, que estava acamado há mais de 20 dias em uma oficina desativada no Centro de Cuiabáfoi encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) nesta sexta-feira (5). Com mais de 200 quilos e dificuldades severas de locomoção, ele dependia da ajuda de amigos e vizinhos para se alimentar e realizar atividades básicas do dia a dia.

Com diagnóstico de trombose e ferimentos por falta de mobilidade, Renato enfrentava dificuldades para conseguir realizar exames e ter atendimento médico adequado devido ao seu peso. Segundo ele, dores intensas na sola do pé se agravaram nas últimas semanas, impedindo que ele caminhasse e trabalhasse.

Diante da situação, equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão e da Secretaria Municipal de Saúde organizaram uma força-tarefa para garantir o atendimento emergencial e a remoção do paciente.

A secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela, informou que a prefeitura intensificou o acompanhamento após tomar conhecimento da piora do estado de saúde do mecânico. Segundo ela, também foram acionadas a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros para garantir uma remoção segura até a unidade de saúde.

“A gente veio aqui na quarta-feira antes do feriado, nós vimos a situação e a gente já tinha encaminhado para saúde. A parte da assistência social a gente vinha fazendo. Porém, a situação dele se agravou nos últimos 20, 30 dias. Antes disso ele estava sendo assistido pelo CRAS”, afirmou a secretária.

De acordo com a prefeitura, Renato havia recebido alta hospitalar anteriormente com diagnóstico de fascite plantar e realizava acompanhamento de um quadro de trombose que já havia sido tratado.

Após o atendimento, as equipes médicas apontaram a necessidade de avaliar a condição intestinal do paciente, que relatava estar há vários dias sem evacuar. O quadro exigia exames de imagem para auxiliar na definição do tratamento.

Depois de ser encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá, Renato passou por avaliação médica e exames complementares que devem orientar os próximos passos do atendimento.

Entenda o caso

Segundo Renato, os problemas de saúde começaram após ele passar mal quando voltava do trabalho. Desde então, ele afirma ter procurado atendimento em unidades de saúde de Cuiabá e Várzea Grande, mas diz que não conseguiu acesso ao tratamento de que precisa.

“Tudo começou num dia que eu tava vindo do serviço e fiquei ruim, entendeu? Não consegui entrar para dentro de casa para trocar de roupa, nada disso. Lá na UPA do Cristo Rei, me deixaram três dias de plantão porque eu tava mal vestido e não tava cheirando legal”, afirmou o mecânico.

O espaço onde Renato está foi cedido por um amigo. Em um quarto de pouco mais de quatro metros quadrados, ele passa os dias sem conseguir sair da cama. Sem mobilidade, também não consegue cuidar do local onde vive. Os moradores da região levam café da manhã, almoço e outros itens básicos, porém eles afirmam que a principal necessidade é garantir atendimento especializado para o mecânico.

“Hoje ele está com mais de 230 quilos e não consegue se locomover nem com a muleta. […] A gente ajuda como pode, levando comida, mas ele precisa de atendimento e de um local adequado para fazer tratamento”, disse o vizinho Danilo Amorim.

A situação de saúde dele tem se agravado. Recentemente, Renato foi diagnosticado com trombose nas pernas. Os medicamentos usados no tratamento foram comprados com a ajuda de amigos. Ele afirma que já recebeu atendimento médico no local, passou por exames e foi acompanhado por uma assistente social. Apesar disso, diz que continua sem acesso a uma unidade capaz de atender suas necessidades.

Segundo ele, ao procurar atendimento, é informado de que não há estrutura adequada para recebê-lo, devido ao peso e as limitações de mobilidade. Ele afirma que estas condições dificultariam o transporte e o atendimento hospitalar.

“Médico vem, só olha e fala para mim: você vai ter que chamar o Samu. O Samu me leva para a UPA, a UPA faz o atendimento e depois eu volto para cá. E fica sempre nisso”, contou Renato.

Além da trombose, Renato já apresenta ferimentos causados pelo longo período em que permanece no local, sem sair da cama.

Segundo ela, também foram acionadas a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros para garantir uma remoção segura até a unidade de saúde. — Foto: Prefeitura de Cuiabá

O Noroeste

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