Um levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou que 6,2 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos estavam fora da escola e do mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2026. O grupo, conhecido como “nem-nem”, representa parte dos 32,9 milhões de jovens nessa faixa etária no país.
Os dados fazem parte do Diagnóstico da Juventude Brasileira, elaborado a partir do cruzamento de informações da PNAD Contínua, do IBGE, com bases da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do eSocial.
Ao mesmo tempo, o estudo mostra que 13,9 milhões de jovens estavam ocupados. Outros 12,8 milhões apenas estudavam, 9,6 milhões apenas trabalhavam e 4,3 milhões conciliavam estudo e emprego.
Escolaridade cresce, mas permanência no emprego é desafio
Segundo o levantamento, os jovens brasileiros estão mais escolarizados do que nunca. Atualmente, 73% possuem ao menos o ensino médio completo.
Além disso, 2,3 milhões frequentam o ensino superior e outros 944 mil já concluíram a graduação.
Apesar desse avanço, a pesquisa aponta dificuldades para transformar a maior escolaridade em empregos estáveis, qualificados e com melhores salários.
Um dos principais desafios é a alta rotatividade. Entre os adolescentes de 14 a 17 anos que trabalham, 52% permanecem menos de um ano no mesmo emprego. Na faixa de 18 a 24 anos, esse percentual é de 38,2%.
Segundo o Ministério do Trabalho, a curta permanência pode estar relacionada tanto ao processo natural de experimentação dos jovens quanto à falta de acompanhamento e integração nas empresas.
Desemprego segue acima da média nacional
Embora o desemprego entre os jovens tenha recuado, as taxas continuam superiores à média do país.
No primeiro trimestre de 2026, 25,1% dos adolescentes de 14 a 17 anos que buscavam trabalho estavam desempregados. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa foi de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%.
Outro dado considerado positivo é a menor participação dos adolescentes de 14 a 17 anos na força de trabalho, que ficou em 15,6%. Para o ministério, isso indica que mais jovens dessa faixa etária estão priorizando os estudos.
Já entre os jovens de 18 a 24 anos, a participação foi de 68,7%, índice que ainda não retornou ao nível registrado antes da pandemia.
Emprego formal avança
A pesquisa também mostra crescimento da formalização entre os jovens.
Dos trabalhadores de 14 a 24 anos, 57,8% possuem vínculo formal, o equivalente a cerca de 8 milhões de empregos com carteira assinada, conforme dados da Rais de 2025.
As ocupações que mais concentram jovens são:
- Balconistas e vendedores: 1,24 milhão;
- Escriturários gerais: 1,07 milhão;
- Auxiliares de construção de edifícios: 394 mil;
- Recepcionistas: 391 mil;
- Caixas e bilheteiros: 367 mil.
Segundo o levantamento, 59% dos jovens ocupados estão concentrados nas 20 principais profissões do país, e um em cada cinco atua em atividades ligadas à escrituração ou ao comércio.
Para o Ministério do Trabalho, os dados indicam avanços na escolarização e na formalização, mas reforçam a necessidade de ampliar oportunidades para que os jovens consigam ingressar e permanecer no mercado de trabalho em ocupações de maior qualidade.
*Sob supervisão de Gene Lannes
Fonte: Agência Brasil





