Categories: Agro.MTFeatured

Justiça decreta a falência do ‘Rei do Algodão’ de MT por descumprir plano de R$ 1,3 bi

A 1ª Vara Cível de Campo Verde converteu a recuperação judicial do grupo José Pupin Agropecuária e de Vera Lúcia Camargo Pupin em falência. Após quase uma década de tramitação, o juiz André Barbosa Guanaes Simões concluiu que os devedores descumpriram o plano original e acumularam uma inadimplência bilionária com seus credores.

A decisão explica que, após a invalidação da assembleia que tentava aprovar um novo aditivo ao processo, o plano original voltou a vigorar integralmente. A partir desse momento, os produtores deveriam comprovar a quitação das parcelas previstas, o que não aconteceu.

“A questão é de natureza objetiva. Sem a apresentação dos comprovantes de pagamento das obrigações consignadas no plano original, impõe-se a convolação da recuperação em falência”, determinou o magistrado, ressaltando que os próprios recuperandos admitiram o calote ao tentarem selecionar quais credores pagariam.

“O expediente adotado, de apartar os créditos que reputaram ilegítimos daqueles que mereceriam pagamento, só serviu para confirmar o inadimplemento de parte substancial das obrigações”, destacou o juiz.

O magistrado rejeitou os argumentos da defesa de que supostas irregularidades em cessões de crédito ou confusões patrimoniais justificariam a suspensão dos repasses. A própria administradora judicial, Glaucia Albuquerque, confirmou que a grande maioria das dívidas não foi paga.

Diante disso, a Justiça determinou o congelamento de ações contra os falidos, proibiu a venda de bens sem autorização e manteve a atual administradora na condução da massa falida.

Recuperação bilionária

A recuperação judicial de José Pupin Agropecuária e Vera Lúcia Camargo Pupin tramita desde 2017 e envolve passivo superior a R$ 3,5 bilhões, sendo considerada uma das maiores e mais antigas recuperações judiciais ligadas ao agronegócio mato-grossense.

O plano original foi aprovado em 2018, mas, ao longo dos anos, credores passaram a apontar sucessivos descumprimentos, inadimplência e ausência de pagamentos previstos.

Além de dezenas de pedidos formulados por credores privados, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso também já havia requerido a convolação da recuperação em falência em razão de descumprimento de obrigações fiscais.

Relatórios da administração judicial também apontaram dificuldades recorrentes na obtenção de documentos contábeis, elevado endividamento e baixa capacidade de pagamento das obrigações de curto prazo.

 

O Noroeste

Recent Posts

Governador promete colocar BRT em operação até o fim do ano e diz que 2° trecho será entregue em até 12 meses

Governador afirma que edital para compra de ônibus elétricos será lançado nas próximas semanas e…

3 horas ago

Governo publica licitação para retomada das obras no campus de Várzea Grande da UFMT

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) publicou o edital de licitação para…

3 horas ago

Atleta de handebol de 15 anos morre em acidente com quadriciclo em Mato Grosso

A atleta de handebol Ana Luiza Straliotto Vilaça, de 15 anos, morreu na manhã deste…

3 horas ago

Homem de 31 anos é morto a tiros na saída de distribuidora de bebidas em MT I MT

Um homem identificado como Felipe Benedito de Arruda e Silva, de 31 anos, foi assassinado…

3 horas ago

Pontes de concreto substituem estruturas precárias de madeira em todas as regiões de Mato Grosso

Desde 2019, Governo já entregou 300 pontes de concreto em diferentes regiões; outras 120 estão…

4 horas ago

“MT se consolidou como um dos principais destinos de investimentos do país”, afirma secretária

Nos últimos sete anos, Mato Grosso avançou em diferentes áreas estratégicas, com investimentos em infraestrutura,…

4 horas ago