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A vida precisa valer mais do que a impunidade

Por: Virgínia Mendes

Todos os dias, o Brasil acorda com uma nova notícia que nos revolta: uma mulher assassinada pelo companheiro, uma criança vítima da violência, uma família destruída por um crime brutal. Mudam os nomes e as cidades, mas a dor é sempre a mesma.

Ao longo dos últimos anos, tive a oportunidade de conhecer de perto a realidade de milhares de famílias mato-grossenses. Foi ouvindo essas pessoas que compreendi que nenhuma política pública faz sentido se não for capaz de proteger a vida.

Foi com esse propósito que idealizei o programa SER Família Mulher, voltado ao acolhimento, à proteção e à reconstrução da vida de mulheres vítimas de violência. O programa nasceu porque acredito que nenhuma mulher deve enfrentar o medo sozinha. A prevenção, o atendimento humanizado e o fortalecimento da rede de proteção são fundamentais para romper o ciclo da violência.

Mas também aprendi uma dura realidade: infelizmente, nem sempre conseguimos chegar a tempo.

Quando uma mulher é assassinada, quando uma criança perde a mãe para o feminicídio ou quando uma família inteira é destruída por um homicídio doloso, nenhuma política pública consegue reparar essa perda.

É nesse momento que surge uma pergunta que escuto de muitas famílias: a vida de quem morreu vale menos do que os direitos de quem matou?

Essa pergunta precisa ser enfrentada com coragem.

A Constituição brasileira protege direitos fundamentais, e isso é uma conquista da democracia. Mas toda Constituição pode ser aperfeiçoada quando a sociedade entende que chegou o momento de responder a novos desafios.

Por isso defendo que o Brasil abra um debate sério sobre a prisão perpétua para autores de feminicídios e homicídios dolosos qualificados.

Não faço essa defesa por vingança.

Faço porque acredito que o primeiro dever do Estado é proteger quem respeita a lei. A justiça precisa transmitir segurança às famílias e deixar claro que crimes tão cruéis terão consequências compatíveis com a gravidade que representam.

Essa mudança exige uma Proposta de Emenda à Constituição, amplo debate no Congresso Nacional e participação da sociedade. É exatamente assim que as democracias evoluem: discutindo ideias e aperfeiçoando suas leis quando a realidade exige.

Continuarei defendendo políticas públicas que previnem a violência, fortalecem as mulheres e protegem as famílias, como o SER Família Mulher. Mas também continuarei cobrando leis mais duras para aqueles que escolhem destruir vidas.

A prevenção salva vidas. A punição justa protege a sociedade. As duas caminham juntas.

Porque nenhuma família deveria viver a dor de perder quem ama para a violência, e nenhuma vítima pode ser esquecida pela Justiça.

Virginia Mendes é Economista, esposa, mãe, ex-primeira-dama de Cuiabá, ex-primeira-dama de MT e idealizadora do Programa SER Família Mulher.

O Noroeste

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