Em uma mudança de tom frente às divisões internas da legenda, o presidente estadual do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, recuou da postura mais rígida contra prefeitos da sigla que resistem a apoiar a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao governo do Estado.
Durante o início da convenção estadual do partido nesta quarta-feira (22) em Cuiabá, o dirigente afirmou que não haverá retaliações ou expulsões, adotando uma estratégia centrada na negociação e no convencimento político. A abertura do evento partidário contou com a presença ostensiva de poucas lideranças municipais de peso, entre elas o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e o prefeito de Sinop, Roberto Dorner.
Diante desse cenário, Ananias destacou que o engajamento na campanha dependerá da construção de pontes, e não de imposições hierárquicas. “Não, o bom senso vai trazer a prática e a definição deles, mas lógico que vai haver diálogo. Não existe, na política, nada feito sem que haja um grande diálogo”, declarou o dirigente partidário.
“Nada será feito de forma abrupta ou de forma ditatorial. Vai ser diálogo”, completou. Pressionado sobre a possibilidade de punir ou solicitar o desligamento daqueles que optarem pela neutralidade ou por alianças adversárias, o presidente do PL rechaçou o uso de medidas disciplinares drásticas.
“Eu nunca pedi um voto, eu nunca forcei um irmão meu, um parente meu a votar no Ananias como candidato. Nunca”, afirmou. Questionado se a postura do partido seria um “convite para sair”, cravou: “Convite para entrar na campanha. Convite para sair nós não vamos fazer para ninguém”, reafirmou.
A fala proferida na convenção representa um recuo em relação à postura adotada por Ananias Filho meses atrás. Conforme noticiado em maio passado, a direção estadual do PL chegou a ameaçar abertamente de expulsão os gestores municipais infiéis, sinalizando que “convidaria” a deixar a sigla qualquer prefeito que se recusasse a caminhar com a candidatura majoritária de Wellington Fagundes.
O abrandamento do discurso expõe as fraturas de um partido que chega ao período das convenções profundamente dividido em Mato Grosso. Embora Wellington Fagundes seja o candidato oficial do partido ao Palácio Paiaguás, uma ala de prefeitos e lideranças identificadas com o bolsonarismo mantém resistência ao projeto e evita declarar apoio público ao senador. Esse grupo tem demonstrado proximidade política com Otaviano Pivetta, pré-candidato à reeleição pelo Republicanos, ou optado por uma postura de neutralidade, evitando participar ativamente da campanha do correligionário.
O próprio prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, principal liderança eleitoral do PL em Mato Grosso, tem reiterado que seguirá as decisões partidárias, mas evita manifestações enfáticas em favor de Wellington, ao mesmo tempo em que preserva uma relação institucional e política com Pivetta.
Com o término do prazo das convenções e o fim das negociações por repasses e convênios estaduais, o PL aposta agora na diplomacia interna para tentar unificar a base a tempo do início formal do período eleitoral.
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