Katani Bocardi foi presa na madrugada desta sexta-feira (31), no Aeroporto Marechal Cândido Rondon, em Várzea Grande (MT), logo após desembarcar de uma viagem a Paris, na França. Segundo a Polícia Civil, ela é investigada na Operação Replay, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao núcleo financeiro de uma facção criminosa. A suspeita passou a ser monitorada pela Polícia Federal ao chegar em São Paulo e foi presa quando desembarcou em Mato Grosso.
Katani é esposa de Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, preso um dia antes durante a operação. De acordo com o delegado Vitor Hugo Caetano, ele tinha papel estratégico na movimentação financeira investigada e atuava ao lado de Paulo Witer Paelo Farias, o “W.T.”, apontado pela polícia como tesoureiro da organização criminosa.
As investigações apontam que W.T. continuava comandando parte das atividades financeiras do grupo mesmo preso na Penitenciária Central do Estado (PCE). Segundo a Polícia Civil, ele utilizava celulares dentro da unidade para manter contato com integrantes que estavam em liberdade e repassar ordens sobre movimentação de dinheiro, compra de bens e ocultação de patrimônio.
Além de Katani e Emerson, a operação também prendeu a advogada Dayane Karol Moreira e os jogadores de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como “Soldado” e Brunno Passos da Silva, chamado de “Brunninho”. W.T., que já estava preso, também teve um novo mandado de prisão preventiva cumprido.
Ao todo, sete pessoas foram presas na operação. Cinco estavam em liberdade e duas já cumpriam pena no sistema prisional.
Segundo a Polícia Civil, os investigados tinham funções diferentes dentro da estrutura financeira da organização.
As investigações apontam que Dayane era responsável por regularizar documentos de imóveis registrados em nome de terceiros para dar aparência de legalidade aos bens. Já Alex Júnior é apontado como um dos principais operadores de W.T. fora da prisão. Brunno, conforme a polícia, mantinha contato direto com o tesoureiro e auxiliava no cumprimento das ordens repassadas por ele.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores ligados ao grupo. De acordo com a Polícia Civil, foram sequestrados cerca de R$ 20 milhões em imóveis e veículos de luxo, incluindo imóveis de alto padrão em Santa Catarina. Outros R$ 18 milhões em ativos financeiros também foram bloqueados.
A Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. Conforme a Polícia Civil, a investigação mostrou que a organização criminosa continuou movimentando recursos e mantendo sua estrutura financeira mesmo após as operações anteriores e a prisão de W.T.
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