Carlos Alberto Gomes Bezerra afirmou, em depoimento ao Tribunal do Júri, em Cuiabá, nesta sexta-feira (31), que ele atirou e matou a ex-namorada Thays Machado e o então atual companheiro dela, Willian César Moreno, após ser provocado pela vítima. O crime ocorreu em janeiro de 2023 e, desde então, ele está preso.
Conforme o depoimento de Carlinhos Bezerra, o relacionamento dele com Thays terminou pouco tempo antes do crime. Ele afirmou que viu a ex junto com Willian enquanto ele estava a caminho de um shopping e decidiu parar para questionar a vítima sobre a falta de contato com ele. Foi nesse momento que, segundo Bezerra, Willian caminhou na direção dele e disse: “corno babaca, vaza”.
Carlinhos afirmou que, após a provocação, ele pegou a arma e efetuou os disparos, alegando que o acontecimento foi uma “tragédia”.
O acusado ainda declarou que, se Willian tivesse se abaixado por “dois segundos”, as mortes não teriam acontecido, pois ele deixaria o local. Ao final do depoimento, classificou que os acontecimentos ocorreram por uma sequência de circunstâncias que, na visão dele, têm um significado espiritual.
O júri havia sido interrompido anteriormente porque a defesa afirmou que não teve acesso a todos os documentos do processo e pediu mais tempo para analisar o caso. Depois que a sessão foi remarcada, os advogados tentaram novamente adiar o julgamento, em pedido feito na segunda-feira (27), mas a solicitação foi negada pela Justiça.
Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, é réu confesso e está preso pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian Cesar Moreno. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Thays foi vítima de feminicídio cometido por motivo torpe, relacionado ao fim do relacionamento, enquanto Willian foi morto com qualificadoras como motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com a acusação, os disparos ocorreram em plena luz do dia, em uma região urbana movimentada, com uso de uma pistola semiautomática. O MPMT aponta ainda que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e de gênero, com abuso da relação de ex-companheiro e da superioridade física do acusado.
A defesa de Carlos Alberto tentou adiar o julgamento do Tribunal do Júri e pediu a realização de um incidente de insanidade mental, alegando que havia indícios de transtornos psiquiátricos e que não teve acesso a todos os documentos do processo em tempo hábil. A Justiça, porém, negou o adiamento.
O julgamento chegou a ser suspenso após os advogados deixarem o plenário alegando falta de acesso a informações e quebra da cadeia de custódia de provas. A sessão foi remarcada e a defesa voltou a insistir na avaliação psiquiátrica do réu. Segundo o psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro, a principal hipótese identificada em avaliação foi de transtorno delirante persistente relacionado ao ciúme, conhecido como “ciúme mórbido”.
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