As exportações brasileiras de carne bovina devem encerrar julho de 2026 com o menor volume embarcado do ano. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), apontam que, até a quarta semana do mês, o Brasil exportou 195,21 mil toneladas de carne bovina in natura, uma queda de 9,91% na média diária em comparação com o mesmo período de julho de 2025.
Mantido o ritmo atual de embarques, a expectativa é que o país finalize o mês com aproximadamente 249,44 mil toneladas exportadas.
A principal razão para a desaceleração está na redução das compras da China, maior destino da carne bovina brasileira. O país asiático atingiu o limite previsto em sua salvaguarda comercial, mecanismo que permite elevar temporariamente as tarifas de importação em momentos de forte crescimento das compras externas. Com a elevação dos custos para novos embarques, a demanda chinesa perdeu força.
O impacto é relevante para o Brasil, já que a China foi responsável por 50,07% das exportações nacionais de carne bovina no primeiro semestre de 2026. A menor procura levou alguns frigoríficos a reduzirem a aquisição de animais para abate e, em alguns casos, adotarem férias coletivas para ajustar o ritmo de produção.
Mesmo com a queda no volume exportado, o setor ainda encontra sustentação nos preços internacionais. O valor médio da tonelada embarcada chegou a US$ 6.368,89, alta de 14,77% frente a julho de 2025. Dessa forma, a valorização da carne no mercado externo ajuda a reduzir os impactos da retração nas vendas.
Para a pecuária brasileira, o cenário aumenta a atenção sobre a diversificação de mercados e sobre os possíveis reflexos da menor demanda chinesa na formação dos preços do boi gordo.
Fonte: midiaJUR



