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Influenciadora suspeita de se passar por advogada tem mais de 60 boletins de ocorrência por estelionato, injúria e difamação em MT, diz delegado

A influenciadora digital Kamila Gonçalves Vieira, conhecida como “Rapunzel Cuiabana” presa nesta segunda-feira (3) por suspeita de aplicar um golpe durante um processo de divórcio, possui 66 boletins de ocorrência contra ela registrados em Mato Grosso entre 2018 e 2026, segundo o delegado Honório Delta. Os registros incluem investigações por estelionato, injúria e difamação.

A reportagem tentou entrar em contato com a defesa da influencer, mas até a última atualização desta reportagem não obteve retorno.

A suspeita, que reúne mais de 40 mil seguidores nas redes sociais, foi localizada em um estabelecimento comercial no bairro Buritis II por equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste. Segundo o delegado, Kamila é conhecida pela Polícia Civil em Primavera do Leste desde 2022 e costuma deixar a cidade após aplicar golpes, retornando algum tempo depois.

O delegado ainda afirmou que entre os casos atribuídos à investigada estão golpes contra estabelecimentos comerciais e proprietários de imóveis. Em um deles, ela teria realizado um tratamento odontológico e deixado uma dívida de cerca de R$ 10 mil. Em outro, alugou um imóvel e retirou objetos da residência antes de deixá-la.

Além das ocorrências em Primavera do Leste, Kamila também foi investigada em Cuiabá e chegou a ser presa em flagrante por estelionato em 2021, segundo a polícia. As investigações apontaram que algumas vítimas criaram um grupo de WhatsApp para trocar informações e reconhecer objetos encontrados com a suspeita. Elas também relataram que teriam recebido ameaças ao tentar recuperar seus pertences.

Para o delegado, Kamila utilizava os golpes para manter um alto padrão de vida.

“Ela gosta de andar bem vestida, usar roupas e perfumes caros. Morava em um bairro nobre de Primavera do Leste. Ela quer ter uma vida boa, mas, ao que tudo indica, por meio de golpes. São pequenos golpes, mas é R$ 10 mil aqui, R$ 20 mil ali”, disse o delegado.

Segundo o delegado, o histórico de ocorrências foi um dos fundamentos apresentados pela Polícia Civil no pedido de prisão preventiva da influenciadora.

Entenda o caso

Kamila foi presa durante a Operação Fallacia, que investiga um suposto golpe em que ela teria se passado por advogada para convencer uma vítima a transferir cerca de R$ 30 mil em supostos pagamentos de pensão alimentícia e entregar uma caminhonete Hilux durante um falso processo de divórcio. A defesa da investigada não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Segundo o delegado Honório Delta, responsável pela investigação, Kamila é investigada por diversos casos de estelionato em Primavera do Leste e em Cuiabá e costumava usar a falsa identidade de advogada para conquistar a confiança das vítimas.

“Ela é multirreincidente em estelionato. Aqui em Primavera, desde 2022, temos inúmeros boletins de ocorrência em que ela aparece como suspeita. Ela tem o costume de se passar por advogada”, afirmou.

 

Segundo a investigação, a suspeita teria:

  1. abordado a vítima oferecendo ajuda para conduzir o processo de divórcio, se passando como advogada;
  2. ao ‘assumir o divórcio’, ela teria afirmado que a ex-companheira do homem havia conseguido uma medida protetiva e que qualquer contato entre os dois poderia resultar na decretação da prisão preventiva dele;
  3. com esse argumento, orientou que a pensão alimentícia fosse depositada diretamente na conta dela. A promessa era de que faria o repasse à ex-esposa, o que, segundo a polícia, nunca aconteceu.

As suspeitas começaram quando o homem contratou outro advogado. Ao entrar em contato com a ex-companheira, ele descobriu que ela não havia recebido nenhum valor. Também foi constatado que Kamila não possuía registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Segundo o delegado, ao longo de mais de cinco meses, a vítima teria transferido aproximadamente R$ 30 mil acreditando que estava cumprindo a obrigação judicial.

Falso mandado de prisão e ‘contrato’ de caminhonete

O delegado afirmou que, mesmo após a vítima interromper os depósitos, a investigada continuou tentando manter o golpe. Conforme o delegado, ela chegou a enviar mensagens afirmando que um oficial de Justiça teria expedido um mandado de prisão contra o homem caso ele deixasse de pagar a pensão.

A polícia apurou ainda que a suspeita produziu documentos falsos para dar aparência de legalidade às ameaças e convencer a vítima a continuar fazendo os pagamentos.

Além do dinheiro, Kamila também teria convencido o homem a entregar uma caminhonete. Ela alegou que o veículo poderia ser incluído na divisão de bens do divórcio e sugeriu a assinatura de um contrato de locação em nome dela para evitar a perda do automóvel.

Segundo o delegado, o prazo combinado terminou, mas a caminhonete não foi devolvida. O veículo foi localizado e apreendido durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na segunda-feira.

Durante as buscas na casa dela, os policiais apreenderam um celular, cartões bancários, documentos em nome de terceiros e a caminhonete investigada.

O Noroeste

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