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PF investiga se dinheiro de acordo entre Governo de MT e OI foi desviado por meio do Banco Master

Deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6), a Operação Heritage apura se os R$ 308 milhões referentes a um acordo de restituição tributária entre o governo de Mato Grosso e a operadora de telefonia OI, foram pulverizados através de fundos de investimentos controlados pelo Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso. No entanto, os valores aplicados na instituição ainda estão em investigações.

O entendimento entre o Estado, através da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT), e a OI, foi firmado em abril de 2024 para encerrar uma disputa judicial sobre ICMS que se arrastava havia mais de dez anos, e que entrou no radar da Polícia Federal, culminando na operação de hoje.

O acordo foi conduzido pelo então advogado Ricardo Almeida, que também teve participação nos fundos que ganharam os direitos creditórios que a Oi possuía contra o Estado. Ele é um dos alvos da operação desta quinta-feira.

Cerca de um ano e meio após a homologação da negociação, em novembro de 2025, Ricardo Almeida foi nomeado desembargador do TJMT pelo então governador Mauro Mendes para ocupar a vaga do Quinto Constitucional destinada à Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT).

A partir daí, de acordo com a investigação, teria sido adotada uma ‘engenharia finaceira’ para que os valores chegassem a outros beneficiários, entre eles, pessoas próxiamas a Mauro Mendes, como as empresas de seu filho, Luis Antonio Mendes, de Fábio Garcia e do pai deste, o empresário Robério Garcia.

Ainda conforme a PF, o valor de R$ 308 milhões, fruto do acordo com a OI, foi dividido entre os fundos Lotte World e Royal Capital, amabos geridos pelo Banco Master, cada um recebendo aproximadamente R$ 154 milhões.

Em poder dos recursos, o Lotte Word passou a adquirir participações em outras empresas e fundos como o Coliseu e Golden Bird, pertencentes a pessoas ligadas a Mauro Mendes.

Mauro Mendes renunciou ao mandato em março para viabilizar candidatura ao Senado e o Fábio Garcia, que foi seu secretário chefe da Casa Civil, foi indicado como vice na chapa à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Conform a PF, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Entre os alvos estão o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Ricardo Gomes de Almeida e o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda.

Também foram determinadas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal, bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, proibição de saída do país com o recolhimento de passaportes, proibição de contato entre investigados, entre outras medidas cautelares.

O Noroeste

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