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Custo de transporte e juros altos devoram o lucro da safra recorde de grãos no Brasil – O Mato Grosso

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Colher mais no campo já não garante, sozinho, o retorno financeiro no bolso do produtor rural. Embora o Brasil caminhe para fechar a safra 2025/2026 com uma produção recorde de aproximadamente 360 milhões de toneladas de grãos, problemas históricos fora das fazendas continuam queimando a margem de lucro e anulando a vantagem competitiva da soja brasileira frente ao mercado internacional.

Juros elevados, crédito restrito, escassez de armazéns e fretes rodoviários caros criam um cenário de pressão financeira, aumentando os riscos de inadimplência e pedidos de recuperação judicial no setor.

O gargalo logístico na comparação com os EUA

O peso do transporte fica evidente quando comparamos o trajeto do grão de Mato Grosso, maior produtor nacional, com o de grandes concorrentes globais:

  • Rota Mato Grosso – China: Transportar uma tonelada de soja de Sinop (MT) até o porto de Xangai custa US$ 138,50, considerando o trecho rodoviário inicial.
  • Rota Iowa – China: O mesmo envio partindo de Davenport, no estado americano de Iowa, sai por US$ 103,05 por tonelada.
  • A diferença no frete: O produtor mato-grossense paga US$ 35,45 a mais por tonelada do que o concorrente americano para entregar o produto no mesmo destino.

Principais desafios que corroem a renda do setor

Além do custo de transporte, outros fatores econômicos e estruturais sufocam o desempenho do agronegócio:

  • Financiamento caro: A taxa de juros alta encarece os empréstimos agrícolas, o que pode atrasar a compra de insumos e limitar investimentos em tecnologia.
  • Falta de armazéns: Sem capacidade para estocar a produção na fazenda, o agricultor é obrigado a vender os grãos logo após a colheita, justamente quando a oferta está em alta e os preços despencam.
  • Concentração de mercado: A alta dependência da China, principal compradora da soja brasileira, acende o alerta para os riscos de oscilação na demanda asiática.

*Sob supervisão de Gene Lannes

Fonte: Band Jornalismo

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