Fabiano Borges Oliveira, de 43 anos, é procurado pela Polícia Civil pela morte da então namorada Ana Cristina Pacheco Matos, encontrada em casa com marca de tiro na nuca, em Cuiabá, neste sábado (15), com o filho de 3 anos ao lado do corpo. A investigação apura ainda uma possível participação de um policial militar na fuga do suspeito.
Segundo a Polícia Civil, durante uma vistoria na loja do investigado no dia do flagrante, os agentes encontraram um computador aberto em uma conversa por aplicativo de mensagens com um policial militar. No equipamento, também havia o registro de uma ligação de oito minutos realizada após o crime.
Segundo o delegado Bruno Abreu, responsável pela investigação, o militar teria entrado em contato com o suspeito logo após tomar conhecimento do crime e só procurou os superiores algumas horas depois.
“ Ao entrarmos no local, vimos conversas com um policial militar e identificamos que, por volta das 10h40, esse policial tomou conhecimento do crime. Imediatamente, ele entrou em contato com o suspeito e permaneceu cerca de oito minutos em ligação”, afirmou o delegado.
Nesta segunda-feira (17), os policiais retornaram ao estabelecimento para recolher o computador e encaminhá-lo para perícia. No entanto, ao chegarem ao local, encontraram a loja arrombada e o equipamento havia sido levado.
Segundo a Polícia Militar, o filho de Ana Cristina,de apenas 3 anos, estava na casa no momento em que a mãe foi atingida e foi encontrado sozinho no local.
De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a irmã de Ana Cristina avisou o ex-companheir o da vítima que um disparo havia ocorrido na casa. Ao chegar ao endereço, ele foi recebido pelo filho de 3 anos, que entregou a ele as chaves do portão.
Dentro da casa, o homem encontrou Ana Cristina caída no chão, com intenso sangramento na cabeça e no rosto. Ele a colocou nos braços e, com a ajuda de um vizinho e do irmão da jovem, a levou até o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Posteriormente, a morte da jovem foi confirmada.
Moradores contaram à polícia que a vítima e o namorado discutiram durante a noite. Por volta das 6h30, os vizinhos ouviram um barulho semelhante a um tiro e, logo depois, viram o suspeito deixando a casa em uma moto de cor preta.
Ainda conforme o delegado, o relacionamento entre Ana Cristina e o suspeito havia começado há cerca de duas semanas. A polícia recebeu informações de que os dois estavam em conflito e que a jovem pretendia reatar o relacionamento com o ex-companheiro.
A morte de Ana Cristina é o 31º feminicídio registrado em Mato Grosso em 2026. Até essa sexta-feira (14), o estado contabilizava 30 vítimas desse tipo de crime neste ano, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Ana deixou dois filhos.
O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.
O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.
Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.
A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a Lei, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher.
O Instituto Maria da Penha aponta que essa violência pode ser dos seguintes tipos:
As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família.
Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão.
A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.
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