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Única pista, um nome em carta: estagiária da Polícia Civil reencontra mãe após 33 anos em MT

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Depois de 33 anos de espera, a estagiária da Polícia Civil de Mato Grosso Aline Katsch reencontrou a mãe biológica, Rosa Maria de Araújo, nesta quarta-feira (26), em Lucas do Rio Verde, a 360 km de CuiabáA localização foi possível após uma busca feita por policiais da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (Denarc), a partir de uma única pista que Aline guardava desde a infância: o nome da mãe escrito em uma carta.

O encontro foi intermediado pela Polícia Civil e contou com o apoio da Delegacia da Mulher de Lucas do Rio Verde. O momento foi compartilhado nas redes sociais pelo delegado Ronaldo Binotti, titular da Denarc.

Para Aline, a notícia de que a mãe havia sido localizada veio acompanhada de uma mistura de sentimentos. Ela conta que já não tinha esperança de conseguir encontrá-la depois de tantos anos de procura.

“Foi um misto de emoções…A barriga gelou, as lágrimas vieram. Porque eu não estava com esperança de encontrá-la, sabe? Afinal, foram 33 anos de busca sem resultados. E quando finalmente descobrimos, a ficha caiu”, contou Aline.

Uma história que começou antes do nascimento

A história de Aline começou ainda antes dela nascer. A mãe biológica e a mãe adotiva, Celita Katsch Müller, eram vizinhas e se conheciam. Quando Rosa engravidou, Celita participou do processo de adoção.

Segundo Aline, todos os trâmites necessários na época foram realizados para formalizar a adoção. Os pais adotivos também acompanharam e ajudaram durante a gestação.

Aline nasceu em 3 de março de 1993, no Hospital Regional de Sorriso, em Mato Grosso. Depois do nascimento, voltou com a família para Lucas do Rio Verde e, posteriormente, mudou-se em definitivo para Cuiabá, onde cresceu. Ela contou que teve uma infância feliz, estudou e trabalhou e, atualmente, cursa Direito.

A mãe biológica é Rosa Maria de Araújo. A mãe adotiva é Celita Katsch Müller, e o pai adotivo, Eugênio Müller.

Aline Katsch com os pais adotivos, Celita Katsch Müller e Eugênio Müller — Foto: Reprodução
Aline Katsch com os pais adotivos, Celita Katsch Müller e Eugênio Müller — Foto: Reprodução

Uma carta guardada por 33 anos

Durante todo esse tempo, Aline tinha como principal pista para encontrar Rosa apenas um nome escrito em uma carta. Mesmo sem saber onde a mãe estava ou se ainda seria possível localizá-la, ela manteve a esperança.

“Esperança, resiliência e fé foram os ensinamentos que a carta representou para mim”, afirmou Aline.

A partir dessa informação, policiais da Denarc fizeram pesquisas nos bancos de dados da Polícia Civil para tentar encontrar uma pessoa que correspondesse ao nome.

As buscas levaram a uma mulher que vivia em Lucas do Rio Verde. Com o auxílio da Delegacia da Mulher do município, os policiais conseguiram confirmar a identidade de Rosa e estabelecer a ligação entre mãe e filha.

O tão esperado encontro

 

Aline conta que foi para Lucas do Rio Verde imaginando que o reencontro seria emocionante, mas admite que também teve medo de que algo desse errado antes do momento de as duas ficarem frente a frente.

“Fomos para lá com a expectativa de ser um grande encontro. E foi melhor do que imaginamos. Mas tive um receio de talvez ela desistir momentos antes. Mas, graças a Deus, deu tudo certo”, disse.

Quando finalmente encontrou a mãe, Aline já pensava no que poderia fazer para diminuir a distância construída ao longo de mais de três décadas.

“O primeiro pensamento foi de tentar recuperar o tempo perdido. Agora que sei onde mora, e que é pertinho, vou manter o contato e visitá-la sempre que possível”, contou Aline.

 

‘Recuperar o tempo perdido’

O primeiro encontro não representa, para Aline, o fim da busca, mas o início de uma nova etapa. Depois de descobrir onde a mãe mora e conhecer parte de sua história, ela espera transformar os próximos anos em uma oportunidade para construir a convivência que não foi possível durante a infância.

“Espero recuperar o tempo perdido com ela. Espero também poder conviver mais com todos da família. E juntos estreitar os laços de família”, afirmou Aline.

Aline passou 33 anos carregando uma única pista sobre a própria origem. Agora, o nome que durante tanto tempo esteve apenas em uma carta ganhou um rosto, uma história e a possibilidade de uma nova relação entre mãe e filha.

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